O Segredo da Transfiguração

Mesmo não constando no Velho Testamento que Moisés, depois de morto tenha ressuscitado ou ressurgido de alguma forma, mesmo assim, ele e Elias teriam aparecido conversando no episódio da "transfiguração" de Jesus, e inclusive alguns discípulos de Jesus presenciaram tal fenômeno (Pedro, Tiago e João). Portanto, Moisés não poderia estar ainda dormindo como dizem, tendo ou não ressuscitado (ressurgido) no passado, em um corpo "transformado" (imortal). Isso demonstra que ele passou pelo mesmo processo de transformação de Jesus, o que foi denominado ressurreição, mesmo não tendo sido registrado por escrito. Já que, segundo o apóstolo Paulo, sem tal transformação não é possível entrar em tal dimensão espiritual (I Coríntios, 15:50). Do contrário, Moisés não estaria presente depois da aparente morte (vivo ali), e conversando normalmente. E o interessante é que, parece que para estes corpos transformados aparecerem aqui na terceira dimensão novamente, de forma visível e concreta, eles precisam de um meio ou veículo, assim como os espíritos menos conscientes, necessitam do ectoplasma dos médiuns para se materializarem na terceira dimensão. Embora tal fenômeno seja também raro.


Inclusive, não foi por acaso que somente Pedro, Tiago e João, tiveram o privilégio de presenciar um fenômeno tão raro e misterioso. Eles já tinham alcançado consciência suficiente para isso.


No caso do profeta Elias, ele tendo sido arrebatado vivo no ar no passado, passou depois pelo processo de transformação do corpo, do contrário, seja para onde ele foi levado, teria que morrer fisicamente, porque segundo o apóstolo Paulo: "A carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus" (I Coríntios, 15:50 a 53).


Quanto à ressurreição comum descrito na Bíblia, como o caso de alguns corpos que foram ressuscitados após a aparente morte física (no terceiro ou quarto dia no máximo), aqueles que o espírito apenas retornou ao corpo (Lucas, 8:49 a 55), algo semelhante ao que a medicina descreve hoje como "catalepsia", voltaram a morrer novamente após tal ressurreição, conforme às vezes ocorre ainda hoje. Porém, a verdadeira ressurreição, a transformação do corpo "carnal" e o surgimento do corpo espiritual interior (imortal), sempre foi algo ainda mais raro e diferente.


Muitos pregadores do Evangelho, devido ainda não compreender tal fenômeno, dizem que somente Jesus foi filho de Deus, porque somente Ele havia ressuscitado. Mas Paulo se refere exatamente a respeito dos homens (e mulheres) que já haviam ressuscitados de fato no passado (I Coríntios, 15:50 a 53). E somente por isso, é que eles têm a façanha de reaparecer aqui nesta terceira dimensão, de forma visível e concreta. Ou seja, eles podem surgir de fato, porque não estão mortos ou inconscientes, porém vivos, conscientes e além do mais, possuem um corpo real e imortal, embora de substância diferente de nosso corpo atual. Contudo, na essência, "ambos" os corpos sejam um só. O nosso único corpo eterno, apenas parece ter ficado denso, pesado (carregado de infinitos conceitos opostos e inúteis), escuro, sem luz. Porém, ao nos livrarmos dos conceitos intelectuais opostos que nos condenam, voltamos a ficar naturalmente leves e luminosos. Transparentes a verdade única, eterna, infinita e perfeita.


Entretanto, tal fenômeno de condicionamento mental não ocorre tão rápido conforme podemos imaginar, ou conforme descrito na simbologia do livro de Gênesis. Ou seja, no primeiro capítulo de Gênesis éramos imortais, e no segundo capítulo, embora ainda imortais, de repente nos tornamos mortais. Na realidade, esse processo foi muito mais lento do que podemos imaginar, embora possa ser exemplificado rapidamente em um filme de ficção semelhante Matrix, por exemplo.


Estas pessoas como Enoque, Elias, Moisés e outros, devido o estado de consciência elevado que atingiram se "transformaram" nos Espíritos nobilíssimos (o que sempre foram), os quais não ficam mais sujeitos a lei da reencarnação obrigatória. Embora possam ainda reencarnar (nascer novamente aqui), porém voluntariamente (contudo, Elias atingiu um nível de consciência mais ou menos elevado). Ao "nascerem" aqui novamente para cumprirem alguma missão solidária, eles surgem com certa lucidez diferenciada, devido o grau elevado de consciência anterior, mas não significa que já nascem sabendo tudo. Por isso se tornam mestres espirituais ou líderes religiosos, embora alguns fracassem em algumas reencarnações devido à influência da crença contraditória universal (bem e mal) e da sabotagem do ego. Eles, assim como a maioria das pessoas, começam humanamente limitados, principalmente devido à crença coletiva (moralista) que nos condena imediatamente, assim que nascemos. Enquanto isso, todos "nós" "nascemos" essencialmente inocentes. Independente que tenhamos ou não algum carma do passado. Pois, Deus a ninguém julga (João, 5:22).


Leia a respeito da "transfiguração" de Jesus em "Mateus, 17:1° a 13", "Marcos, 9:2 a 13" e "Lucas, 9:28 a 36". O ideal é analisar detalhadamente os três Evangelhos, porque uns omitiram alguns detalhes fundamentais, e outros não. Preste atenção nas frases de tais Evangelhos, referentes ao episódio da "transfiguração". Por exemplo:


"Veio uma nuvem e os cobriu com sua sombra", "entrando eles na nuvem, tremeram", "saiu da nuvem uma voz que dizia: 'Este é o meu Filho amado; a ele ouvi'", "desceu uma nuvem que os cobriu com a sua sombra", "uma nuvem luminosa os cobriu".

Ora, nuvem não fala, não desce, não é iluminada e ninguém entra e sai duma nuvem. Se assim fosse, Moisés e Elias seriam imaginários e não reais. Observe que, quando a suposta nuvem não estava luminosa, surgia na terra à sombra de sua forma, mas quando a "nuvem" estava iluminada, não refletia a sombra de sua forma, claro. Moisés e Elias entraram em tal nuvem, os discípulos tremeram de medo. Qualquer pessoa ficaria com medo inicialmente até se acostumar com tal fenômeno. Algumas pessoas já viram hoje, isso que foi denominado na época de "nuvem", inclusive a imensa sombra de seu formato sobre a terra. Que outro nome eles poderiam dar a tal fenômeno estranho, com o vocabulário que possuíam naquela época?


Na verdade, quem já viu tal fenômeno hoje, sabe perfeitamente o que significa isso. Jesus havia falado que aquilo tinha tudo a ver com a sua ressurreição, com a transformação de seu corpo após a aparente morte, mas os discípulos não entenderam direito a grande novidade. Elias e Moisés já sabiam o que iria acontecer e o que fazer após a morte física de Jesus. Embora, tal fenômeno ainda hoje nos parece ficção?


Observe que Moisés e Elias comentavam com Jesus sobre a importância da sua "morte" e ressurreição. Perceba que não se tratava de algo imaginário ou irreal. Logo, se eu também ficasse sabendo dessa forma, que ao terceiro dia após a minha morte física, eu ressuscitaria de fato em "outro" corpo transformado, eu morreria mais confiante (apesar do instinto de sobrevivência), após constatar que isso era possível e real e não imaginário.


Na realidade, a transfiguração de Jesus foi apenas o reflexo do foco da intensa e ampla luz branca, a qual se localizava bem acima dEle (pairado no ar), semelhante ao que aconteceu na conversão misteriosa do apóstolo Paulo (Atos, 22:6 a 9), (Atos, 22:11 a 13). O profeta Elias estaria ali vivo, mesmo que João Batista não estivesse já morto, e mesmo o Espírito de Elias tendo reencarnado como João Batista (embora João Batista não soubesse disso quando vivo), devido seu limitado estado de consciência (Mateus, 11:14), (João, 1:21).


Veja posteriormente (na seção Filosofar Histórico) detalhes sobre a reencarnação de Elias, através das próprias palavras de Jesus. No entanto, é claro que nenhuma pessoa comum sabe quem ela foi, em uma ou mais vidas anteriores, logo como João Batista saberia também? Não existia terapia de regressão naquela época. Entretanto, conforme veremos, Jesus sabia tudo sobre Elias e sobre a reencarnação dele como João Batista, mas não por acaso, porém devido o elevado grau de consciência que atingiu. No entanto, muitas religiões ainda resistem, chamando indiretamente Jesus de mentiroso. Eles negam a vida eterna e não sabem que estão negando, devido à ignorância espiritual.


Embora João Batista, apesar de cumprir com a sua missão através de sua tarefa de pouco brilho, a sua consciência ainda não era tão iluminada, quanto à de Jesus. Enquanto isso, independentemente das reencarnações voluntárias ou não, o nosso único corpo eterno permanece íntegro e perfeito, apesar das diferentes apresentações (desdobramentos) neste mundo aparente tridimensional. Por isso todos nós somos um e o mesmo na essência, independente da aparência.


Ou seja, nossa origem é sempre o mesmo Filho de Deus (da Vida Universal e Única), que estejamos conscientes disso ou não. Isso é algo que muitos até agora estão tentando compreender. Por isso, não precisamos atingir nenhuma perfeição, pois tal perfeição já existe dentro de nós agora mesmo. Precisamos pelo contrário, nos libertarmos da influência da crença coletiva (universal), do condicionamento mental que adquirimos desde a infância (a crença moralista humana em dois supostos poderes - bem e mal ao mesmo tempo), a qual nos condena. Contradição.


Na verdade, esta única origem espiritual e eterna em forma de corpo imortal, se desdobra em infinitas pessoas e coisas. É preciso descobrir nossa verdadeira identidade espiritual, o Ser (Eu Sou).


Estes corpos que são um só em harmonia são espirituais e invisíveis para nossos sentidos atuais, devido nosso estado limitado de consciência. Por isso, para tornarem visíveis para nós nesta terceira dimensão física, utilizam um meio de adaptação.


Os indivíduos de corpos imortais (que Paulo se referiu em I Coríntios, 15:50 a 53), também têm um cérebro semelhante ao nosso (réplica). Contudo, apesar da expressão "semelhante" ou "réplica", na verdade existe uma só mente incondicionada (da vida inteligente).


Quanto à missão de João Batista, de Jesus e de todos nós, depende de nosso livre-arbítrio e estado de consciência adquirido. Porém tudo caminha para a perfeição já existente eternamente, pois não existe ao mesmo tempo "imperfeição e perfeição" (duas verdades). A missão de alguns iniciados na senda da espiritualidade é auxiliar e promover de várias maneiras possíveis o despertar da consciência espiritual da humanidade. É descobrir e revelar quem nós somos realmente. Quanto mais claro pudermos revelar tal verdade infinita, melhor será para todos nós.


Uma coisa importante é preciso deixar claro, todos nós somos o Filho amado, embora muitos ainda não saibam, porque ainda não nos conscientizamos disso suficientemente. Logo, além de Deus (a Vida) ser Universal, tem também um corpo imortal aparentemente individual. Embora o nosso intelecto condicionado não possa entender nem aceitar tal realidade infinita, exatamente porque ele é atualmente limitado, finito. A não ser que ele seja iluminado novamente pela sabedoria da vida interior.


O apóstolo Pedro ao se referir sobre a vinda de Jesus Cristo afirmou que, o que ele viu no monte, na época que ocorreu o que denominaram "transfiguração", não era fábulas ou algo anti-científico (II Pedro, 1:16 a 21). Ou seja, não era crença religiosa, porém realidade. Portanto, ele disse que a segunda vinda de Jesus tinha a ver com tal fenômeno visível e real. Embora, o Espírito de Cristo sempre surge quando a consciência espiritual de algum indivíduo se expande. Porém esta segunda vinda específica será com certeza diferente. Não será através da expansão da consciência dos indivíduos. Ele próprio aparecerá individualmente em determinado corpo.


Acompanhe conteúdos relacionados na seção “Filosofar Histórico”, especialmente os artigos “O Encontro de Melquisedeque com Abraão”, “Circuncisão – O Pacto Sexual” e “A Destruição de Sodoma e Gomorra”.

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