O Anti-Cristo
É claro que o apóstolo João Evangelista disse que anti-Cristo são todos aqueles que pregam que Jesus Cristo não veio em carne, ou que Jesus Cristo não era humano como nós (I João, 4:1 a 3). Mas a questão do anti-Cristo aqui será tratada de outro ângulo, se referindo a mesma realidade.
Levando em conta ainda o mesmo critério do apóstolo João Evangelista, por exemplo. Tem pessoas muito estudiosas e espiritualizadas que acreditam que uma verdade psicografada por intermédio de um espírito é muito mais importante do que uma verdade transmitida por um simples ser humano. Nesse caso, já estão dizendo de forma indireta ou discreta que Jesus não era humano como nós. Ou seja, nós nunca somos dignos agora, só depois. A mesma fé dos fariseus, já que os fariseus também acreditavam que o profeta Elias ia reencarnar. Enquanto isso esquece que a personalidade humana sobrevive à morte, mantendo as mesmas velhas crenças após a morte.
Segundo uma análise mais minuciosa, o anti-Cristo é simplesmente a mente condicionada por crenças humanas. Os conceitos intelectuais opostos de bem e mal ao mesmo tempo e os milhares de conceitos opostos que originam destes dois conceitos principais. As teorias intelectuais que são como poeira que poluem a "lente cristalina" (mente incondicionada). Mente pura e inocente, sem malícia, maldade nem preconceitos e discriminação (I Coríntios, 2:16).
As crenças científicas e principalmente religiosas determinam a nossa forma de ver a realidade e a nossa personalidade. Por isso, a nossa mente condicionada pelos conceitos opostos e a nossa personalidade, são de fato anti-Cristos. E esta personalidade sobrevive à morte do corpo, permanecendo com a mesma mentalidade sombria anterior. No entanto, ela precisa "morrer", antes ou após a morte física. Do contrário continuaremos recapitulando os mesmos erros do passado através das reencarnações. Enquanto isso, a personalidade só começa a "morrer" (morte psicológica do ego) quando compreendemos o que é Consciência espiritual interior. O Ser (Eu Sou). Quando nos aprofundamos nesta verdade.
Mesmo que exista um meio rápido de nos libertar de tais ilusões mentais, não seria suficiente. Seria apenas uma experiência interessante e marcante, conforme aconteceu comigo, ao ler pela primeira vez o livro "O Poder do Agora", de autoria de Eckhart Tolle. Ou seja, fiquei aproximadamente um mês num estado de consciência alterado, o que eu costumo chamar de "estado de consciência diferente". Foi uma incrível experiência difícil de explicar com palavras, semelhante à experiência da neuroanatomista norte-americana Jill Bolte Taylor (universidade de Harvard), após um pequeno derrame cerebral. Mesmo após tal insight, a personalidade ressurge e persiste.
Esta pessoa para "sair" do cérebro duplo provisoriamente, precisou de um pequeno derrame, o qual originou alguns intervalos de silêncio mental. E eu precisei apenas ler o livro "O Poder do Agora". É claro que tanto eu como ela, todavia já estávamos mais ou menos preparados para tal experiência através de nossas buscas da verdade. Eu buscava de uma forma filosófica, e ela buscava de uma forma científica. Agora, não sei se ela compreendeu direito a questão após a experiência. Pois, um cientista geralmente é muito materialista. Inclusive ainda não li o livro dela "My stroke of insight". Traduzido para o português com o título "A cientista que curou o próprio cérebro".
Geralmente precisamos da ajuda de alguém mais lúcido que nós, assim como Abraão recebeu a ajuda de Melquisedeque. Precisamos buscar a verdade, passar por vários estudos, religiões, filosofia, etc. Apenas para descobrir que a verdade já é. Que nós estamos dentro da verdade e a verdade está dentro de nós. Porém, antes disso, nós não sabemos devido havermos esquecido. Mas, na verdade "em Deus vivemos, nos movemos e existimos" (Atos, 17:27 e 28). Mesmo que nosso pequeno e limitado intelecto (filho pródigo), não possa acreditar e nunca se considere digno (Atos, 13:44 a 46). Na verdade ele foi o grande vilão, segundo o livro de Gênesis. Embora muitos ainda prefiram continuar ingênuos, acreditando como sendo a maçã ou o sexo a causa de nossa ignorância espiritual.
Enquanto isso, Cristo não é um indivíduo (forma) que viveu há 2.000 anos. Ele é a única verdade, nossa verdadeira identidade interior. Nós somos um só, embora pareçamos separados através dos cincos sentidos. Perceba... Nós temos os mesmos sentimentos, as mesmas dores, os mesmos prazeres, inclusive o mesmo infeliz ego psicológico (mente condicionada, crença humana).
Cristo (Consciência) é o mediador entre nós (forma) e a Vida universal. É o que nos "liga" novamente a nossa verdadeira origem infinita e eterna. Embora, nunca estivemos de fato separados da origem. Estávamos apenas sonhando. Logo, Cristo é a Consciência que nos acorda do longo pesadelo. A verdade continua a mesma desde o princípio (Gênesis, 1:31). Simples assim. Basta retirar a "poeira" da mente (crenças humanas). Sabedoria humana, demasiada humana.
A aparência humana ainda atual, ou a mente condicionada pelas crenças milenares é anti-Cristo (João, 7:7). É uma "barreira" que dificulta o acesso a vida infinita interior (nunca se considera digna, é pessimista ao extremo). A Consciência espiritual é a nossa verdadeira identidade, Cristo em nós (Colossenses, 1:26 e 27). Cristo é a nossa vida (Colossenses, 3:4).




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