O Papel da Religião
Qualquer pessoa religiosa ou não, concorda que o papel da religião significa "religar o homem a Deus". Porém, observemos atentamente se a maioria das religiões está de fato cumprindo com este propósito inicial. Pelo menos, verifiquemos se não estão pregando, assim como ainda pregava João Batista. Por exemplo:
João Batista com uma pose de santo e vestido a caráter, pregava ainda o batismo de arrependimento e a confissão de pecados (salvação ou iluminação por esforço e merecimento próprio). Ele era membro de uma religião do deserto (Lucas, 1:80), cuja doutrina era rígida, pois se vestia com pêlos de camelo, com um cinto de couro em redor de seus lombos. Só comia gafanhotos e mel silvestre. E pregava dizendo sem muita certeza (Mateus, 11:2 e 3), com base na profecia do Velho Testamento, que após ele (no futuro) viria um ser iluminado, cuja altura ou iluminação, ele não era digno como ser humano. Como se não fosse possível que aquele que viria segundo a profecia, fosse também humano (Marcos, 1:4 a 7), (II Coríntios, 5:16).
Agora observemos que Jesus não fez nada disso, não tinha pose de santo, não era abstêmio e nem pertencia a uma religião moralista e rígida (Lucas, 7:33 e 34). Se observarmos direito, podemos perceber que Ele não pertencia a nenhuma religião. Do contrário não teria sido um revolucionário. Jesus iniciou dizendo apenas: "O Reino de Deus está próximo..." (Marcos, 1:14 e 15). E não exatamente longe, separado ou distante de nós como pregava os fariseus e João Batista. E conforme é pregado ainda hoje pela maioria das religiões, convictas que conhecem a verdade.
Ainda neste último versículo de Marcos, Jesus acrescenta: "Arrependei-vos e crede no evangelho". Só isso, porque isso servia para chamar a atenção do povo ignorante e fazia parte de sua doutrina inicial rudimentar e provisória (Hebreus, 6:1° e 2). Porém, ele não pregou nada que João Batista havia pregado. Ele não pregou os rudimentos iniciais de sua doutrina provisória, assim como o batismo com água, por exemplo (João, 4:1° a 2). Ele apenas introduziu em sua doutrina inicial, devido à ignorância do povo daquela época.
Por isso, Osho chama tais religiões de "religiões mortas". Porque, elas em vez de religar o homem a Deus, fazem exatamente o contrário. Na realidade, muitos ainda não perceberam que tais religiões, significam apenas o labirinto da mente, ou teorias intelectuais de salvação (sabedoria humana), mesmo que sejam ensinadas por aqueles que já partiram. Portanto, o indivíduo só encontra a verdade agora (fora da mente: passado e futuro), ou Ele mesmo, quando consegue escapar do labirinto da mente (passado e futuro imaginários). Embora, segundo a Bíblia tais religiões sejam necessárias como “preparação do caminho do Senhor” (linguagem bíblica). Porém o Senhor é Espírito segundo o apóstolo Paulo (II Coríntios, 3:17). E não um indivíduo que nasceu há 2.000 mil anos. No entanto não significa um espírito que ainda não encontrou a essência divina em si mesmo, depois de haver esquecido.
O termo "labirinto" aqui empregado não é metafórico, porém literal. A mente é de fato um labirinto. O ser humano está "dormindo", sonhando acordado (preso na mente). "Morto" para a vida real agora. O Ser (Consciência). "Vivem" sonhando entre o passado e futuro da mente, ambos imaginários. A verdade da vida eterna agora é ignorada, fica sempre para depois, nunca pode ser agora, nunca pode ser real. Ou seja: "Eu não sou digno agora, um dia seremos dignos, porem agora não podemos, não somos capazes agora" (Atos, 13:44 a 46). Enquanto isso, na verdade, o futuro só pode acontecer agora e nunca depois.
Segundo o livro "Nosso Lar", psicografado por Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito "André Luiz":
"Muitos levam milênios recapitulando experiências através das reencarnações. Porém, tem aqueles que descobrem a essência divina em si mesmos, então tomam o caminho reto, direto para Deus".
Escapando naturalmente da reencarnação obrigatória. Preste atenção na palavra: "recapitulando". Veja o significado de tal palavra em um dicionário.
Mas, enquanto isso, aqueles que aceitaram uma teoria espiritual, segundo a qual o nosso Espírito é de fato imperfeito, não podem compreender isso. Porque não entendem que o nosso Espírito ficou apenas aparentemente imperfeito, devido às crenças intelectuais opostas em dois supostos poderes (bem e mal ao mesmo tempo). Conforme confirma o livro de Gênesis. A suposta queda espiritual da humanidade. Logo, isso significa que o nosso Espírito não é imperfeito, embora assim pareça devido às crenças adquiridas há milhares de anos. No entanto, ao descobrir a nossa verdadeira natureza e identidade espiritual agora (o Ser). Tudo volta a ser como antes (perfeito e harmonioso). Aqui começa a verdade que o apóstolo Paulo pregou (Efésios, 2:8 a 10).
CONCLUSÃO
Criado em uma religião no deserto desde a infância
"O menino (João Batista) crescia, e se robustecia em espírito, e esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel" (Lucas, 1:80).
Tinha dúvida a respeito do que havia pregado
"João Batista, ouvindo no cárcere falar dos feitos de Cristo, enviou dois dos seus discípulos a dizer-lhe: És tu aquele que havia de vir ou esperamos outro? (Mateus, 11:2 e 3).
Pose de santo e doutrina rígida
"João Batista andava vestido de pêlos de camelo e com um cinto de couro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre" (Marcos, 1:6).
Pregava um Deus distante do ser humano
"João Batista pregava dizendo: Após mim (no futuro) vem àquele..." (Marcos, 1:7).
Não se considerava digno da vida eterna
"João Batista pregava dizendo: ... Ele é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das sandálias" (Marcos, 1: 7).
Jesus era humano como nós
"Daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo" (II Coríntios, 5:16)
Jesus não tinha religião
"Veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demônio. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigos dos publicanos e dos pecadores" (Lucas, 7:33 e 34).
Jesus não batizou com água
"Quando Jesus ficou sabendo que os fariseus tinham ouvido que Ele fazia e batizava mais discípulos do que João Batista (ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos), deixou a Judéia e foi outra vez para a Galiléia" (Marcos, 4:1° a 3).
A salvação ou iluminação segundo o apóstolo Paulo
"Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Efésios, 2:8 a 10).
É claro que muitos ignoram, devido ter aceitado crenças humanas. Porém há dois caminhos, o caminho humano pelo esforço e merecimento (labirinto da mente). E há o caminho denominado também de graça (não-mente). É quando o Ser se revela agora através de nossa consciência e faz a mente soberba e arrogante se calar. O esforço nesse caso é apenas para sabermos ou compreendermos o que é Consciência. Onipresença. Veja em um dicionário o significado das palavras "Onipresença", "Onipotência" e "Onisciência". Pondere e medite em silêncio sobre elas. Isso ajuda a nos libertar do labirinto da mente e a despertar a nossa consciência agora.
Reflexão
A verdade é. Ela circunda você. Ela está dentro de você e sem você. Não há necessidade de se chegar a qualquer conclusão a respeito dela. Ela já é conclusiva! Você está nela. Você não consegue ser sem ela. Não há maneira alguma de perdê-la. Não há maneira alguma de se desviar dela. Você pode estar dormindo profundamente, inconsciente, mas ainda assim você estará nela.
Osho
Observação
Osho usa o termo “religião” para denominar o Ser ou a Verdade. Mas as religiões que pregam um Deus distante e separado de nós, ele denomina de “religião morta”. Ele utiliza também o termo “ciência” se referindo ao “conhecimento” (sabedoria humana). No entanto, eu me refiro ao termo “ciência” como apenas realidade (fato) e não ao raciocínio humano. Porque a "não-mente" não mente, porém a "mente" mente.




15 de agosto de 2009 16:58
Todos os dias passo no seu Blog e aguardando ansiosamente atualizações, você escreve muito bem, deveria escrever livros...
Suas idéias chocam o gosto de muitos, e atingem em cheio antigos e irreflexionados paradigmas, valeu mesmo!!!
16 de agosto de 2009 09:31
Eu mantenho uma atualização semanal. Enquanto isso consulte as demais seções, como “Destaques”, “Filosofar Histórico” e “Categorias”.
Como você gosta do assunto, procure ler livros dos autores Eckhart Tolle, Joel S. Goldsmith, Krishnamurti, Lao-Tsé, Osho. Veja qual linguagem você se identifica melhor.
Osho usa o termo “religião” para denominar o Ser ou a Verdade. Mas as religiões que pregam um Deus distante e separado de nós, ele denomina de “religião morta”. Ele utiliza também o termo “ciência” se referindo ao “conhecimento” (sabedoria humana). Eu me refiro ao termo “ciência” como apenas realidade (fato) e não ao raciocínio humano. Porque a não-mente não mente, porém a mente mente. Por isso, geralmente eu me refiro a “religião morta” como imaginária, e não pertenço a mais nenhuma, porque fui além como sugere o filósofo Nietzsche.
Obrigado pelo comentário e pelo elogio!