A Mente Condicionada
Disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente, o Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra, de que fora tomado (Gênesis, 3:22 e 23).
Esses dois pequenos versículos mal compreendidos têm "condenado" o ser humano desde o passado remoto.
Enquanto isso, nós devemos observar atentamente que no primeiro capítulo do livro de Gênesis constava somente Deus, porém depois, a partir do segundo e terceiro capítulo de Gênesis, passou a atuar o tal Senhor Deus, não exatamente criando como fez Deus, porém formando através da mente ainda incondicionada e depois condicionada (crenças humanas). Uma mistura de mundo real com mundo irreal ou impermanente (transição da consciência do ser humano). Logo, o "Senhor Deus" que tem conceitos maliciosos opostos como bem e mal, é a mente dualística humana (sabedoria humana) e não a Vida universal e interior, a qual está acima dos conceitos intelectuais opostos de bem e mal ao mesmo tempo. Erro da razão (contradição).
Muitos continuam interpretando a Mente (Senhor Deus) abordada a partir do segundo capítulo do livro de Gênesis, como sendo de fato Deus. Nesse caso, então Deus (a Vida universal e interior) teria condenado cruelmente o ser humano e ainda estaríamos condenados até agora. E não haveria solução ou salvação, já que esta seria a vontade de Deus e as religiões estariam trabalhando em vão, na tentativa de religar o homem a Deus novamente, ou de promover o despertar da consciência espiritual do ser humano. Mas, segundo o apóstolo Paulo, isso é uma mentira da "mente" que mente. Ou seja, pelo contrário:
Deus quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade (I Timóteo, 2:3 e 4).
Não esquecendo que o mediador entre o aparente ser humano e Deus (Espírito consciente), descrito no versículo 5 deste mesmo capítulo, é o Filho. Só que o Filho (mesmo sendo homem, ou humano) não é um outro ser humano superior a nós, mas a Vida interior (Eu Sou). Pode chamá-lo de Cristo, ou Jesus Cristo se quiser. Mas desde que não acredite que tal mediador esteja separado de você ou de sua verdadeira identidade espiritual interior. Senão não vai adiantar Ele ser um mediador entre Deus e o ser humano, já que você não é digno de se conectar novamente ao Pai (linguagem bíblica). Ou seja, não acontece a união novamente, todavia devido não se considerar digno (Atos, 13:44 a 46).
Enquanto isso, o ser humano busca tal união através do esforço e merecimento próprio. Porém nunca consegue, exatamente porque não se considera digno. O apóstolo Paulo diz que não pode ser assim (Efésios, 2:8 a 10).
Os versículos de Gênesis 3:22 e 23 descrito no início, se refere a um processo psicológico, o que chamamos de autopunição da mente do ser humano que nos condena em vão até hoje (equívoco intelectual). Foi quando a mulher passou a ter filhos com mais dores e o homem passou a comer o pão do suor de seu rosto. Porém, antes não era assim e nunca foi, portanto isso é ilusão de nossa mente.
A nossa mente enquanto incondicionada (inocente), ela é como uma lente cristalina, através da qual, a Vida eterna interior se expressa e se revela como ela é, harmoniosamente (de dentro para fora) em forma individualizada. Contudo, a sabedoria humana, ou os conceitos intelectuais opostos através do cérebro duplo, deixa tal "lente" (mente), embaçada ou escura, refletindo apenas as nossas crenças dualísticas maliciosas de bem e mal, saúde e doença, felicidade e infelicidade, riqueza e pobreza, guerra e paz, sucesso e fracasso, etc. Tudo isso se manifesta como realidade, devido nós mantermos tais crenças convictas imbuídas em nossa consciência espiritual como sendo uma verdade absoluta, negando agora a Onipotência e Onipresença de Deus (nossa Vida real interior). O único poder.
O pó ou a poeira (crenças milenares) que embaça nossa "lente" (mente) representa tudo o que se relaciona ao mal, erro ou desarmonia. E a parte da "lente" (mente) que permanece limpa e cristalina, corresponde à perfeição original e infinita, como sempre foi eternamente. Nós inventamos as crenças. Enquanto isso, a verdade é imutável. Ela continua a mesma, nada mudou. "Tudo o que Deus fez considerou muito bom" (Gênesis, 1:31). Perfeito e harmonioso! Mas nós continuamos acreditando na história da mente que mente, e ignoramos a Presença interior.
O erro não está na única mente universal incondicionada (cristalina), a qual projeta eternamente uma realidade perfeita e harmoniosa, mas nas crenças humanas (mente condicionada por conceitos intelectuais opostos). Mente soberba e arrogante.
O amor, o perdão, a humildade e o otimismo da vida infinita, precisa se revelar através de nós novamente, agora e não depois.
Observe o equívoco da razão. Se nós não somos dignos agora do melhor (Atos, 13:44 a 46), então seremos dignos de que, somente do pior? Dessa forma, a ilusão continua em nossa realidade.




8 de novembro de 2009 23:32
Se olharmos para as pessoas e virmos todas as suas diferenças humanas, em breve gostaremos de algumas e não gostaremos de outras; vamos confiar em algumas e desconfiar de outras.
O que há de errado nisso? nao seria o natural? não gostar a ponto de ódiar ou querer mal é uma coisa, agora ter pessoas prediletas, é normal não?
10 de novembro de 2009 09:36
Você se refere às palavras de Joel S. Goldsmith.
Parece natural porque a maioria das pessoas vive assim, enxergam apenas a aparência transitória, porém não estaremos enxergando a realidade absoluta, mas a realidade relativa. Não estaremos enxergando além das aparências. Ter pessoas prediletas, ainda é discriminação e dissensão (eu e o outro somos um só). “Deus não faz dissensão de pessoas”.
Goldsmith se refere a uma realidade que transcende a mente humana, a verdade em si, independente do mundo formado pela projeção da mente humana condicionada. Na realidade absoluta e eterna (Gênesis, 1:31), não há defeitos, não há erros, não há imperfeições de forma alguma, não há eu e você, há Eu Sou. Um único Ser infinito e eterno e não dois. Mesmo que seja visualizado dois, ou mais, na realidade é Um.
Obrigado pelo comentário!