O Suposto Castigo de Deus

As formidáveis barreiras que a organização social construía para se defender contra os antigos instintos de liberdade - os castigos fazem parte da primeira linha dessas barreiras - conseguiam que todos os instintos do homem selvagem, livre e vagabundo, se voltassem contra o próprio homem (Nietzsche).

O problema é que as religiões moralistas ainda não entenderam essa questão psicológica e continuam cometendo o mesmo erro, achando que esta seja a solução para o resgate do equilíbrio e da harmonia do ser humano. Mas, psicologicamente falando, a causa, o problema está na repressão dos instintos naturais, principalmente o sexual, na idéia dualística de pecado e santidade (malícia da mente). Basta observar o que acontece na realidade.


Isso eu considero uma grande descoberta científica e psicológica do filósofo Nietzsche, felizmente reconhecida hoje por alguns poucos, o seu fundamental valor. Porém, o que Nietzsche não explicou, foi que nessa época, o "castigo" ou "punição" real, por sua vez se iniciou por intermédio da religião patriarcal. Porque antes, a mulher, todavia devido sua delicadeza peculiar, apenas elaborou intelectualmente as idéias de "pecado e santidade" (castigo de Deus). Tal castigo alegado até então, para sustentar e justificar a moral imposta em tal organização social era apenas mais uma idéia imaginária (Romanos, 7:7): Ou seja, o tal "castigo eterno de Deus". Contudo, o castigo tornado real, surgiu através da ação concreta do homem, ao exteriorizar na prática à vontade de seu "Deus" imaginário, ou seja, à vontade da própria mente dualística (cérebro duplo). Assim a mente maliciosa punia fisicamente, alegando a vontade de Deus (da Vida). Desse modo agia a religião moralista patriarcal, como o exemplo das leis de Moisés: "Dente por dente e olho por olho".


Na verdade, uma idéia mental (imaginária) nunca se concretiza na realidade sem a ação prática da vida através de nós, estando nós consciente ou inconsciente. Portanto, não adianta imaginar somente, e não agir na prática para concretizar um projeto mental (abstrato). Isso não é teoria, é fato. A pessoa pode até ter uma "boa" capacidade de imaginação, mas o projeto, ou ideal pensado, só se aperfeiçoa e evolui, quando se inicia a sua prática aqui e agora, nem que comece apenas no papel em forma de rascunho ou esboço.


Eu fazia muito isso quando criança. Ou seja, me deitava na cama, visualizava mentalmente os detalhes do que eu queria inventar, me levantava, pegava as ferramentas e agia. Só isso. Se eu nunca agisse agora, jamais iria concretizar tais pensamentos. Portanto, levante-se e faça agora conscientemente. Não espere que façam por você, pois ninguém vai fazer. Este processo é demasiado simples, o que nos impede de concretizarmos as nossas metas, é um medo infundado, insegurança, dúvida. Ou seja, o que a Bíblia chama de "falta de " (complexo de inferioridade ou baixa auto-estima). É preciso confiar em sua própria capacidade interior, é preciso ter autoconfiança e agir agora positivamente.


O pensamento projeta (planeja) e a emoção age sem pensar, portanto a emoção não projeta, mas somatiza internamente, dentro do próprio organismo e externamente a qualidade da energia do sentimento. Essa energia pode promover a saúde ou a doença, a felicidade ou a infelicidade, dependendo de sua qualidade. Você é quem escolhe, por isso é fundamental perdoar o quanto antes e ser grato à vida agora. A gratidão à vida real, significa um estado elevado de consciência. É assim que nós somos deuses (seres espirituais), (Salmos, 82: 6 e 7).


Apesar de tudo isso ser demasiado simples até para uma criança, infelizmente nos acomodamos e esperamos sempre que alguém ou um Deus imaginário façam por nós. Assim esperamos em vão, indefinidamente. Desse modo mantemos enterrados os nossos talentos a vida inteira, e continuamos carentes. E muitas vezes agimos em prol de um ideal sem sentido, que na verdade não serve para nada, sendo apenas crenças de terceiros.


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