Necessidade de Uma Psicologia Mais Otimista
Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, o outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode por outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo (I Coríntios, 3:10 e 11).
Ou melhor, o fundamento é o Espírito de Cristo (vida, consciência, lucidez interior). Já que segundo Paulo, adorar uma pessoa humana significa idolatria, ídolo de "barro" (feito do pó da terra). Mesmo o Espírito de Cristo tendo de fato se expressado através de Jesus Nazareno.
Nesta época da edificação do verdadeiro Evangelho que Paulo se refere, já estava surgindo um falso Evangelho, onde misturaram os ensinamentos de Moisés com os ensinamentos de Cristo. No ensinamento de Cristo havia liberdade, no outro continuava a mesma escravidão anterior (idéia de pecado, arrependimento de obras mortas). Infelizmente esta crença, ensinamento de morte e de condenação foi o que sobrou para a humanidade de hoje. É preciso perceber o que realmente aconteceu (Mateus, 23:4).
Segundo o apóstolo Paulo, voltaram a louvar o homem carnal, a Jesus Nazareno (Romanos 1:21 a 25) assim como idolatraram a Moisés no passado. Embora, como Moisés era mais sábio do que aquele povo ignorante, ele usava um véu em seu rosto, para que os filhos de Israel não se apegassem a sua aparência física transitória. Contudo não adiantou, pois eles se apegaram mesmo assim (II Coríntios, 3:1° a 18).
Isso se chama segundo Nietzsche "culto ao gênio". Portanto, perceba que Paulo falava de psicologia também e não de religião. Observe que até Moisés utilizou estratégia psicológica para transpor o fanatismo e a ignorância do povo, imagine Jesus que foi mais sábio que ele? Isto significa que o ensinamento de Moisés deve ter sido mais otimista no início.
Além da estratégia psicológica de Moisés citado, não deixe de perceber a semelhança também do texto bíblico (I Coríntios, 3:10 e 11), com o texto do filósofo Nietzsche descrito logo abaixo. Pois, assim como o apóstolo Paulo, a obra de Nietzsche ainda era incompleta conforme ele demonstra em seus livros. Por isso, outros devem também edificar sobre esta obra real (científica). Confira:
Há casos ruins na vida dos grandes artistas, que obrigam um pintor, por exemplo, a apenas esboçar como uma idéia ligeira o seu quadro mais importante, ou que obrigaram Beethoven a nos deixar em algumas grandes sonatas (como a em Si maior) apenas a insuficiente versão para piano de uma sinfonia. Nisso o artista que vem depois deve procurar corrigir a vida dos grandes homens: o que faria, por exemplo, aquele que, sendo um mestre dos efeitos orquestrais, despertasse para a vida esta sinfonia que se acha em morte aparente no piano.
O pianista que executa a obra de um mestre terá tocado da melhor maneira possível se fizer esquecer o mestre e se der a impressão de que conta uma história sua ou de que justamente então vivencia algo. Claro que, se ele não tiver importância, todo o mundo amaldiçoará a loquacidade com que nos fala de sua vida. Ele tem de saber conquistar a imaginação do ouvinte, portanto. Assim se explicam todas as fraquezas e folias do "virtuosismo". (Humano, demasiado humano).
É interessante perceber porque Nietzsche agiu desse modo e quem foi o mestre esquecido que ele se referiu discretamente. Ele sempre surpreende com sua esperteza e agilidade. Todavia, eu creio que há outras maneiras através da criatividade de conquistar não só a imaginação, mas principalmente a atenção do ouvinte. Esquecer o mestre significa para mim, ocultar a fonte cristalina onde "bebemos" da água da vida. Por isso, eu sou a favor de revelar sempre a fonte, para ao menos amenizar os equívocos do intelecto. Desse modo, alguém pode detectar posteriormente o que o discípulo não entendeu, ou o que ele negou ou ocultou da verdade. Nem que tal erro leve séculos para ser detectado e revelado a humanidade.
Por exemplo: eu vi uma matéria na televisão cujo título era "memória e imaginação", contudo não citaram outras fontes, senão apenas o livro do autor, o qual estava presente na reportagem. Quanto ao título, a meu ver ficaria digamos, mais claro se fosse "realidade e imaginação", pois a memória se baseia sempre em realidades passadas, já vividas realmente. Memória, todavia significa passado. Tal matéria indicava ainda apego a falsa metafísica (passado e futuro), tempo da mente. É preciso explicar urgentemente para a humanidade a diferença entre a realidade da vida agora e a imaginação de nossa mente condicionada. Do contrário, ainda estaremos tateando na escuridão da mente que mente, por mais culto e inteligente que sejamos.
Nesta referida matéria tinha uma frase interessante que dizia o seguinte:
Tem coisas que nossa mente projeta como uma tragédia, mas a vida ensina o contrário.
Na realidade, hoje nós já sabemos cientificamente alguma coisa sobre a mente fantasiosa, mas quem é a vida real que ensina a verdade (o contrário da imaginação da mente)? O problema é que continuam ignorando a vida e priorizando o imaginário. Como se nós (vida real) não existíssemos. Não esqueçamos que Jesus sendo humano como nós, dizia sempre "Eu Sou a Vida".
Uma outra frase dizia:
Como podemos imaginar coisas que nunca experimentamos? A ciência já sabe que esse processo parte do que temos armazenado na memória.
Exatamente, nós não podemos imaginar algo que nunca tenhamos experimentados ou vividos realmente. Porque a nossa imaginação se baseia sempre na realidade que hoje é apenas lembrança (memória). Ou seja, a nossa imaginação se baseia sempre em uma realidade que já existiu e que já vivemos (experimentamos). Entretanto a imaginação não é realidade, porém ela pode voltar a ser, se recriarmos através da ação prática da vida real agora, exemplos da imaginação ou da memória. Se nós retraduzirmos a história em realidade novamente.
Desse modo tais frases tentavam mostrar o engano da mente humana em projetar ingenuamente um futuro imaginário, tanto negativo quanto positivo, sem agir concretamente agora, nos fazendo ter uma previsão do futuro que não é real. Apenas uma fantasia mental, diferente da realidade da vida agora, porque a fantasia é mentira (realidade abstrata), e a vida real é ação consciente e concreta agora.
Nesta mesma matéria, consta que:
É à parte do cérebro, o lobo frontal que só nós temos, que nos permite imaginar, pensar no futuro. E esse é o ponto de partida de toda a confusão. (Fernando Cendes - chefe de departamento de neurologia da faculdade de ciências médicas da Unicamp).
Veja que a ciência já detectou a causa da confusão humana (equívocos intelectuais), conforme consta também escrito no livro de Gênesis e nos livros do filósofo Nietzsche, e inclusive no livro "O Poder do Agora" e nos livros de Joel S. Goldsmith, e alguns outros autores. Na verdade, nós estamos nesta confusão mental desde a suposta queda espiritual do ser humano, citado no livro de Gênesis.
Conforme comentário nesta mesma matéria:
A imaginação é como um amigo não muito confiável, que comete erros, assim como a memória: Lembramos de algo e nos enganamos; olhamos para o futuro e sentimos coisas irreais. (Psicólogo Daniel Gilbert).
Ou seja, tudo isso significa equívocos intelectuais. Um amigo que mente e nos engana, age como inimigo na verdade. Aí está o erro da razão que Nietzsche também se referiu. Quanto à lembrança de algo do passado, às vezes não são os filhos quem esquece ou se engana com algo que ocorreu no passado, porém os pais, dependendo do evento. É como diz o ditado: "Quem bate esquece, quem apanha lembra". É assim que acontece, pois quem sentiu a dor teve uma experiência mais forte e mais marcante. Depois de alguns minutos, o pai já se esqueceu que espancou o filho, mas o filho não vai esquecer daquela crueldade para o resto da vida.
Outra frase dizia:
"Imaginação é tudo aquilo que você sonha". Ou seja, o sonho da mente.
A campeã brasileira de "No Limite", de 2000, Elaine de Melo, disse nesta mesma matéria:
O que aconteceu depois foi uma avalanche de mudanças, na realidade a gente não tinha noção do que iria acontecer, então as coisas foram mudando muito rápido.
E segundo Daniel Gilbert, também na mesma matéria:
Muitas pessoas acreditam que eventos futuros terão um impacto mais forte do que, na realidade, eles têm. A ciência nos diz, porém, que a maioria dos acontecimentos, bons ou ruins, tem um impacto pequeno na nossa felicidade total. (Psicólogo Daniel Gilbert).
Então, está claro que a imaginação não é a realidade da vida. O pensamento é abstrato, a vida real é fato. Só que o impacto na nossa felicidade ou infelicidade posteriormente, depende de como fazemos algo de concreto agora e do sentimento de gratidão do indivíduo (aceitação da realidade). Porque o futuro (que só ocorre agora) é uma conseqüência do que fazemos de real agora. Logo, seja qual for o impacto seguinte, positivo ou negativo, depende da conseqüência da ação real tomada agora. Portanto, se a maioria dos acontecimentos tem um impacto (efeito) pequeno, é porque a ação (causa) é pequena ou de pouca qualidade, certo? Isto também é ciência exata. Todavia, se o indivíduo é ingrato, reclama e se queixa de tudo, não vai fazer muita diferença o tamanho do impacto positivo ou negativo em sua condição de vida. Isto é psicologia, inteligência emocional. E a humanidade precisa já, agora de uma dose grande desse remédio.
Observe o que aconteceu de fato com a brasileira Elaine de Melo. Ou seja, depois dela ter superado muitos obstáculos e ter vencido a prova, aconteceu uma avalanche de mudanças muito rápida. Porém, antes de acontecer realmente tal impacto grande e positivo em sua vida real, ela não tinha a mínima noção mental do que aconteceria no "futuro" (agora). Ela não precisou projetar mentalmente um futuro imaginário, apenas agiu corajosamente agora, fez a sua parte de corpo e alma. Contudo, o que a maioria das pessoas faz é o contrário disso, pois projeta mentalmente um futuro imaginário e se esquece de agir concretamente agora. Permanecem sonhando acordadas.
Uma outra frase da mesma matéria dizia:
Eu tenho como filosofia de vida nunca olhar para o que eu não tenho e nem sofrer pelo que eu não tenho. Pelo contrário, para mim é sempre curtir o que eu tenho, ou usufruir aquilo que eu tenho. (Psicólogo Paulo Cyrillo).
Isso significa gratidão a vida real agora (aceitação da realidade), atenção ao momento presente (agora), conforme consta também em Eclesiastes, 9:7 e Eclesiastes, 9:9. Contentamento e satisfação espiritual. Pois, felicidade é um estado de espírito. Felicidade significa ser e não apenas ter. Contudo, o Ser tem tudo o que é necessário para viver, quando não tem, providencia quando acorda de seu longo pesadelo (inconsciência humana).
Esta matéria exibida na televisão já começou a demonstrar, embora de forma ainda limitada, como o tempo é uma ilusão de nossa mente. Mas ainda é muito pouco, pois muitas pessoas apesar de terem visto, não perceberam a importância de tal conteúdo. Tal percepção imediata exige atenção e lucidez agora.
Finalizo, colocando a sua disposição alguns preceitos inteligentes do sábio filósofo Nietzsche para sua reflexão:
Um bom escritor não tem apenas o seu próprio espírito, mas também o espírito de seus amigos.
Os chamados paradoxos do autor, aos quais o leitor faz objeção, freqüentemente não estão no livro do autor, mas na cabeça do leitor.
Aquele pensamento ao qual, sob o riso e o escárnio dos medíocres, um homem eminente dá grande valor, é para ele uma chave de tesouros secretos, e para aqueles, apenas um pedaço de ferro velho.
Quem se interessa, hoje, por ver à luz do humor as diferenças entre realidade e pretensiosa aparência, entre o que o ser humano é e o que quer representar? Sentimos esses contrastes de modo inteiramente diverso quando lhes buscamos as causas. Quanto mais profunda a compreensão que alguém tiver da vida, tanto menos zombará, mas afinal talvez ainda zombe da "profundidade de sua compreensão".
Não tem real interesse por uma ciência aqueles que começam a se entusiasmar por ela somente depois que nela fazem descobertas.
A irracionalidade de uma coisa não é um argumento contra a sua existência, mas sim uma condição para ela.
Quem realmente quiser conhecer algo novo (seja uma pessoa, um evento ou um livro), fará bem em receber esta novidade com todo o amor possível, e rapidamente desviar os olhos e mesmo esquecer tudo o que nela pareça hostil, desagradável, falso: de modo a dar ao autor de um livro, por exemplo, uma boa vantagem inicial, e, como se estivesse numa corrida, desejar ardentemente que ele atinja sua meta. Pois assim penetramos até o coração, até o centro motor da coisa nova: o que significa justamente conhecê-la. Se nós alcançamos este ponto, a razão pode fazer suas restrições; a superestimação, a desativação temporária do pêndulo crítico, foi somente um artifício para fazer aparecer à alma de uma coisa. (Nietzsche em "Humano, demasiado humano").




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