Não Mais Se Considerando Mal, o Homem Deixa de Sê-lo

O texto do filósofo Nietzsche descrito logo a segui, revela a origem psicológica do ego (equívocos intelectuais), a compaixão e o egoísmo (extremos da mente) observados através de um ângulo diferente do habitual.


Para antecipar uma breve compreensão, se faz necessário ver a vida como algo superior ao nosso cérebro, e o cérebro duplo como uma simples máquina de sobrevivência, através da qual e sob a orientação de uma consciência mais lúcida (superior), devemos utilizar o nosso cérebro a favor da vida, e não mais para reprimi-la ou escravizá-la (condená-la), conforme faz a maioria das religiões ainda hoje.


Verificaremos a diferença entre o egoísmo exagerado, e o egoísmo como instrumento de sobrevivência humana. É claro que eu também, como cristão de nascença (embora hoje não professe nenhuma religião), tive dificuldade inicialmente de compreender esta questão psicológica.


O filósofo Nietzsche em alguns de seus livros critica a compaixão e elogia o egoísmo. Porém, para ser sincero, inicialmente eu não entendi nada, o que significa que eu ainda acreditava no mal como algo real, ao encarar o egoísmo conforme o ponto de vista da maioria das pessoas. Porém, se a vida é inocente, então o mal não existe senão em nossa imaginação, certo? Contudo fiquei na expectativa de que ele sendo tão sábio deveria saber o que estava falando. Eu é que até então era leigo e ignorante a respeito do assunto.


Nas palavras seguintes de Nietzsche, se encontra o segredo que a psiquiatria vem buscando incansavelmente, ou seja, o equilíbrio entre razão e emoção, egoísmo e compaixão. Extremos da mente dualística. Embora, Gasparetto também trata do assunto através de outras palavras.


Porém, antes de prosseguirmos é aconselhável relembrar o significado da palavra "livre-arbítrio", para facilitar nossa compreensão:


Segundo o dicionário Aurélio: "Livre-arbítrio - Possibilidade de exercer um poder sem outro motivo que não a existência mesma desse poder; liberdade de indiferença. [Refere-se o livre-arbítrio principalmente às ações e à vontade humana, e pretende significar que o homem é dotado do poder de, em determinadas circunstâncias, agir sem motivos ou finalidades diferentes da própria ação]".

Ou seja, agir livremente sem motivos ou finalidades, dependendo das circunstâncias imediatas, significa na verdade instinto natural de sobrevivência (de acordo com a natureza). Porém a moral humana, em um caso semelhante a este tentaria reprimir ou controlar o instinto natural de sobrevivência, devido à idéia de pecado (má consciência). Portanto, "orai e vigiai" o que? A mente que mente. Mas não orar e vigiar no sentido que nos ensinaram os maliciosos moralistas.


Agora leia com atenção o texto a segui sobre egoísmo, porque contém uma psicologia muito profunda e necessária. As observações entre parênteses são minhas, com exceção da última frase entre parênteses:


Se apenas forem morais, como se definiu, as ações que fazemos pelo próximo e somente pelo próximo, então não existem ações morais! Se apenas forem morais - segundo outra definição - as ações que fazemos com livre-arbítrio, então não existem ações morais! - O que, então é isso que tem esse nome, que de todo modo existe e pede explicação? São os efeitos de alguns erros intelectuais. - Supondo que nos libertássemos desses erros, que seria das "ações morais"? - Em virtude desses erros, até hoje atribuímos a algumas ações um valor mais alto (exagerado) do que o que têm: nós as distinguimos das ações "egoístas" e das "não-livres". Se agora tornamos a juntá-las a estas, como temos de fazer (de acordo com as circunstâncias necessárias de sobrevivência), diminuímos certamente o seu valor (o sentimento de seu valor), e isso abaixo da medida razoável, pois as ações "egoístas" e "não-livres" tiveram avaliação muito baixa até o momento, devido à suposta diferença intrínseca e profunda. - Então elas serão realizadas com menor freqüência a partir de agora, porque passarão a ser menos valorizadas? - Inevitavelmente. Ao menos pó um bom tempo, enquanto a balança do sentimento de valor estiver sob a reação de erros passados! Mas nossa contrapartida é que restituímos aos homens a boa coragem para as ações difamadas como egoístas e restauramos o valor das mesmas - roubamos delas a má consciência! E, como até hoje foram as mais freqüentes, e em todo o futuro continuarão a sê-lo, retiramos a todo o quadro das ações e da vida a sua má aparência! Não mais se considerando mal, o homem deixa de sê-lo! (Nietzsche em "Aurora").

É preciso entender urgentemente, que não mais se considerando mal, o homem deixa de sê-lo na realidade. Há quanto tempo o sábio filósofo Nietzsche escreveu sobre isso, e continuamos ignorando tal ciência (psicologia)? Enquanto isso, as religiões e filosofias moralistas continuam fazendo o contrário com boa intenção em "salvar" a humanidade.


Verifiquemos a diferença do egoísmo exagerado e do egoísmo como instrumento de sobrevivência. A princípio pode até parecer algo complexo, porém é simples, por exemplo: O egoísmo é na verdade, um "mecanismo psicológico de defesa" da mente, necessário a sobrevivência do indivíduo humano. Porém, quando acreditamos que o egoísmo, o qual sempre trabalha a nosso favor, é um mal (originalmente), começamos a agir de forma forçada e artificial (hipocritamente), porque na verdade acreditamos que temos realmente algo de mau dentro de nós, já que todo mundo tem egoísmo (aversão e inclinação do cérebro duplo). Mas, ao mesmo tempo queremos ser bons.


Enquanto apenas seres humanos, nós somos aparentemente bons e maus (inclinação e aversão), desejo e medo. Porém, ao transcender a aparência humana (mente dualista condicionada), descobrimos a nossa verdadeira natureza interior (Vida inocente e amável). Contudo, preferimos acreditar em nossa falsa natureza, imaginária e provisória. A isto Nietzsche chamava de "equívoco intelectual" e "erro da razão". Logo podemos perceber que ele era muito mais sábio que os religiosos de sua época os quais tentaram lhe ridicularizar, aqueles que acreditavam com muita convicção que o homem era mau e pecador por natureza, como muitos ainda hoje.


Nós não somos, portanto o mecanismo de defesa da mente, denominado hoje de egoísmo (aversão e inclinação da mente). Somos a vida real inocente que está sempre presente, porém encoberta pela ilusão mental. Crenças e convicções contraditórias.


Na realidade:


O mau funcionamento da mente acontece quando buscamos o nosso eu interior dentro dela e a confundimos com quem somos. É nesse momento que a mente torna-se egóica e domina toda a nossa vida. (Eckhart Tolle em "O Poder do Agora").

Não devemos confundir nós mesmos (a vida real, infinita e invisível), com a mente dualística (cérebro duplo). Nós não somos aquele indivíduo limitato e mortal que vemos no espelho.


Conclusão, nós queremos ser bons porque esta é a natureza verdadeira da vida interior que a Bíblia chama de "Deus" (Marcos, 10:17 e 18), mas acreditamos que somos maus e pecadores por natureza, porque as religiões moralistas nos ensinou assim. Acreditamos no contrário (achamos que somos matéria, o cérebro e não a vida), e assim nos tornamos seres ilógicos, ingratos e fingidos. Acreditamos que temos uma origem má e queremos ser bons ao mesmo tempo. Como prova disso, observe o sermão daqueles que pregam a Bíblia ainda hoje, e outras religiões e filosofias que nem sempre se baseiam na Bíblia.


Porém, na verdade, segundo o sábio filósofo Nietzsche:


Não mais se considerando mal, o homem deixa de sê-lo! (Aurora).

Observe que o título do livro dele tem tudo a ver. Eis o remédio psicológico e eficaz para a sociedade violenta atual e para as religiões pessimistas (moralistas). Eis o remédio psicológico para uma saúde mental e emocional realmente perfeita e equilibrada a muito almejada. Experimentem realmente na prática e comprovem seus benefícios, em vez de continuarem fantasiando e teorizando. Contudo, não se engane, pois isto significa inteligência emocional (ciência) e não religião (imaginação).


Todo mundo tem os mesmos sentimentos, porém, quando vemos como sentimentos maus, nos tornamos maus, porque temos tais sentimentos considerados maus dentro de nós. Ou seja, somos maus e cruéis porque assim acreditamos embora nossa verdadeira natureza seja a vida inocente e perfeita (amável e generosa). Por isso, Jesus disse para não resistirmos ao mal.


Na realidade o ego é pequenino, apenas uma ilusão mental (equívoco intelectual), mas causa um estrago danado porque acreditamos "nele", no "mal" e não na nossa verdadeira origem sábia e inocente. Enquanto isso, o ego deita e rola, enquanto não percebemos conscientemente que somos a vida interior invisível e não o ego aparente.


Tentar esquecer ou esconder nossos sentimentos significa deixar de observá-los atentamente e conscientemente. Assim eles nos dominam e nós ficamos inconscientes e a mercê dos mesmos. Sinta suas emoções atentamente sem julgá-las nem condená-las, pois se elas se manifestarem inconscientemente, poderá ser muito desagradável para você e para os demais a sua volta, por mais ético e equilibrado que você seja aparentemente.


Conclusão: A moralidade ou consciência de pecado torna o homem cada vez mais malicioso e desconfiado. É preciso perceber urgentemente que moralismo (repressão) é sinônimo de violência e decadência. Portanto, preste atenção à realidade a sua volta e perceba o que acontece de fato, em vês de teorizar e supor intelectualmente. Por exemplo:


Novalis, uma autoridade em questões de santidade, por experiência e por instinto, expressou com ingênua alegria: "É espantoso que a associação de volúpia, religião e crueldade já não tenha há muito tempo chamado à atenção dos homens para seu íntimo parentesco e tendência comum". (Nietzsche em "Humano, demasiado humano").

É fundamental não ver nenhuma maldade em nossas ações espontâneas, porém apenas necessidade de sobrevivência. Mesmo que às vezes, tenhamos que agir contrário a moral humana (preconceitos mentais). Contudo, para agir coerentemente e evitar que outros sofram por nossa causa, devemos utilizar o código de conduta ensinado pelo grande sábio e Mestre Jesus, ou seja: "Tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós..." (Mateus, 7:12). Não sejamos hipócritas.


Desse modo, não vendo mais de forma negativa o egoísmo (senão seu desequilíbrio), o egoísmo antes exagerado pela nossa mente, começa a voltar ao seu equilíbrio natural. Somente então a sabedoria da vida interior começa a se revelar novamente através de nós, devido nós, nos libertarmos psicologicamente do sentimento de culpa. Assim já não somos mais nem bom, nem ruim, porém apenas o que somos independentemente do julgamento malicioso de nossa mente e da mente dos outros.


Os animais irracionais também têm o mecanismo natural de defesa da vida individual, chamado "egoísmo", que Nietzsche chamava às vezes de "feiúra da natureza", presente, todavia nos animais e nos homens selvagens também. Porém, enquanto o egoísmo não é visto como um mal, tal "feiúra da natureza", é algo natural e equilibrado (não guarda rancores). Porém, quando encaramos o egoísmo natural do ser humano como algo mal e pecaminoso, guardamos rancores em vez de perdoar um procedimento comum da vida humana, contudo devido interpretarmos erroneamente como sendo um procedimento errado e mal intencionado (malícia da mente).


O interessante é que o egoísmo e a ira se mantêm indefinidamente exagerados, enquanto acreditamos que somos maus e pecadores por natureza, conforme a maioria das crenças religiosas.


Observe aqueles que si dizem espiritualistas e vivem falando em equilíbrio, harmonia, paz, etc. Contudo acreditam maliciosamente em um mal real (crença em dois supostos poderes, bem e mal). Porém, o mal é apenas um equívoco intelectual, um julgamento mental equivocado, precipitado e superficial.


Esta grande descoberta científica do filósofo Nietzsche a respeito do egoísmo e da compaixão (extremos da mente dualista) é simplesmente decisiva para auxiliar a libertação da humanidade. Infelizmente muitos lêem os seus livros e não entendem o mais importante.


Essa ferramenta psicológica nas mãos da psiquiatria e psicanálise (após seu aperfeiçoamento e utilização), fará o que hoje chamamos milagres. Pois, doenças inclusive consideradas incuráveis pela medicina, serão curadas naturalmente através da eliminação do sentimento de culpa. Provavelmente alguns psicoterapeutas já tenham, todavia iniciados a utilização desta ferramenta eficaz.


Após compreender isso, podemos chegar a algumas conclusões: Então porque o filósofo Nietzsche morreu doente? No caso de Jesus (humano também), Ele foi literalmente assassinado. No caso do filósofo Nietzsche, pode ser que ele ainda estivesse influenciado pela mente condicionada, pois a matéria não pode se sobrepor à vida.


Após compreendermos que o egoísmo é um mecanismo psicológico de sobrevivência da mente condicionada (cérebro duplo humano), e que não há realmente nenhum mal dentro de nós, começamos a resgatar novamente o equilíbrio aparentemente impossível, tão desejado pelas religiões e pela psicologia.


0 comentários:

Postar um comentário

Em "Comentar como" (logo abaixo) escolha uma das opções de perfil, depois clique em "Postar comentário":
- Coloque a URL de seu blog ou site (se tiver), no local correto;
- Os comentários são publicados após analisados.

Não serão aprovados comentários:
- ofensivos;
- não relacionados ao tema;
- com propagandas incluídas no texto.
Obrigado pela visita!

Maior é o que está em vós do que o que está no mundo (I João 4:4)

BlogBlogs.Com.Br