Moral Religiosa Imposta
Quanto a moral religiosa, observe o que está acontecendo hoje novamente. O moralismo retornou com toda sua força na mídia, e a violência também conseqüentemente, quando deveria logicamente acontecer o oposto, se o moralismo fosse um remédio eficaz. Portanto, observem atentamente o que ocorre na realidade, em vez de continuarmos fantasiando e teorizando. Sejamos realistas.
A maioria ainda predomina como no passado, por enquanto somente dois programas de psicologia otimistas e saudáveis estão sendo divulgados através da televisão brasileira. Interessa o equilíbrio almejado ainda não alcançado, porém tal equilíbrio surgirá através da liberdade sensata (consciente) e não da repressão religiosa, nem da liberdade sem ordem (inconsciente). Insanidade humana. Portanto:
Sendo verdadeiro que nossa civilização tem algo deplorável em si, vocês têm a escolha de concluir, com Rousseau, que "essa deplorável civilização é culpada de nossa moralidade ruim", ou concluir de volta, contra Rousseau, que "nossa boa moralidade é culpada dessa natureza deplorável da civilização. Nossos frágeis, pouco masculinos conceitos sociais de bem e mal, e seu enorme predomínio sobre corpo e alma, afinal enfraqueceram todos os corpos e almas e quebrantaram os homens independentes, autônomos, despreconcebidos, os pilares de uma civilização forte: onde vemos agora a moralidade ruim, encontramos as derradeiras ruínas desses pilares". Assim, há paradoxo contra paradoxo! É impossível que a verdade esteja em ambos os lados: estará ela em um dos dois? Comprove-se.
Parece que na atualidade, sob toda espécie de nomes falsos e enganadores, e geralmente com grande falta de clareza, são feitas as primeiras tentativas de organizar-se e criar para si um direito, por parte dos que não se vêem ligados aos costumes e leis existentes: quando até então, tachados de criminosos, livres-pensadores, imorais, malfeitores, viveram sob o signo da proscrição e da má consciência, depravados e depravadores. Isso deveria ser considerado bom e razoável no conjunto, ainda que torne perigoso o século vindouro e faça todo indivíduo ter uma arma: para que exista um poder oposto, que sempre recorde que não há uma moral única determinando o que é moral, e que toda moralidade que afirma exclusivamente a si própria mata muitas forças boas e vem a sair muito cara para a humanidade. Os divergentes, que tantas vezes são os inventivos e fecundos, não devem mais ser sacrificados; já não deve ser tido por vergonhoso divergir da moral, em atos e pensamentos; devem ser feitas inúmeras tentativas novas de existências e de comunidade; um enorme fardo de má consciência deve ser eliminado do mundo - tais metas universais deveriam ser reconhecidas e promovidas por todos os homens honestos que buscam a verdade! (Nietzsche em "Aurora").
Quanto à "arma", é apenas um exemplo. Por favor, não tome ao pé da letra. Ou seja, as idéias de pecado, "bem e mal" (ao mesmo tempo, contradição) enfraqueceram e quebrantaram os homens independentes e autônomos (livres). Os responsáveis por uma civilização forte. Sobraram aqueles que não se consideram dignos da vida. As religiões moralistas denegriram e diminuíram os homens e continuam agindo do mesmo modo. É necessário eliminar o enorme fardo de má consciência criado pelas filosofias e religiões moralistas. Enquanto isso, os divergentes, aqueles inventivos e fecundos que fizerem tentativas novas de existências e de comunidade, com certeza serão perseguidos e difamados por uma sociedade moralista. Tais mudanças caso sejam promovidas concretamente, que seja por uma ciência não materialista, e não por crenças religiosas, ou por fanáticos anticientíficos, conforme já aconteceu algumas vezes.
O ser humano não deve mais continuar sendo denegrido e diminuído, como sendo mau e pecador.
O que amo eu em Tucídides, o que faz que o tenha em mais elevado apreço do que Platão? Ele tem o mais amplo e despreconcebido deleite em tudo o que é típico do ser humano e dos eventos, e acha que a cada tipo corresponde um quantum de bom senso: é este que ele procura descobrir. Ele tem mais justiça prática do que Platão; não é um denegridor e diminuidor dos homens que não lhe agradam ou que o magoaram na vida. Pelo contrário: vê ou acrescenta algo de grande em todas as coisas e pessoas, ao enxergar apenas tipos; pois o que teria a fazer a posteridade, a que ele consagra a sua obra, com o que não fosse típico? De modo que nele, o pensador dos homens, atingiu a última, magnífica florescência aquela cultura do mais desassombrado conhecimento do mundo, que teve em Sófocles seu poeta, em Péricles seu estadista, em Hipócrates seu médico, em Demócrito seu cientista: aquela cultura que merece ser batizada com o nome de seus mestres, os sofistas, e que, desde o instante do batismo, infelizmente começa a tornar-se pálida e inapreensível para nós - pois suspeitamos que tenha sido uma cultura muito imoral, essa que foi combatida por Platão e todas as escolas socráticas! A verdade é aqui tão emaranhada e retorcida, que relutamos em desenredá-la: que o velho erro (error veritate simplicior [o erro é mais simples que a verdade]) prossiga seu velho caminho! (Nietzsche em "Aurora").
O mesmo erro intelectual foi cometido pelos fariseus, após a morte de Jesus e do apóstolo Paulo. Cuja doutrina moralista e fantasiosa (sem fundamento real e científico) condena a vida inocente (nós) até hoje. Contudo, a "imoral" que Nietzsche se refere é a "amoral", o equilíbrio, o meio termo. Moral e imoral ao mesmo tempo (contradição) são extremos de nossa mente dualística.




19 de novembro de 2009 17:46
Muito Legal :D
É Rarissimo conhecer pessoas que estejam consciêntes, a grande massa esta agora insconsciênte, apenas existindo, sendo mero produto, das influências sociais, políticas, econômicas, religiosas... enfim... acreditam ser livres e não são, infelizmente muitas nunca serão... O livre pensar, a meditação, enfim.. volver a percepção pra si mesmo, e escutar a si mesmo, ahh se as pessoas assim o fizessem... Talvéz um dia quem sabe... A esperança é a ultima, é sempre a ultima que morre...
19 de novembro de 2009 20:40
Quanto à liberdade, ainda hoje, por exemplo, o comportamento compulsivo ou o “agir compulsivo” é encarado como algo normal por muitos, e não como um sintoma psicológico (decadência). Há aqueles que sucumbiram apesar da fama. Não adianta tentar trocar os fatos por crenças ou preferência religiosas e ideológicas.
Porém, é preciso saber que a causa do comportamento compulsivo foi a repressão religiosa, a ideia de pecado (bem e mal ao mesmo tempo). Logo, o antídoto é o contrário disso. Não somos mal e pecador por natureza, precisamos saber quem somos essencialmente, realmente. A verdade leva a liberdade: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará”.
Obrigado pelo seu comentário!