Moral ou Imoral? Eis a Questão

Os dogmas e o moralismo são as cascas da fidelidade e da lealdade e o começo da confusão (Lao-Tsé, em "Tao Te Ching").


O que vem a ser a moral dos nossos dias? Quando, profundamente, vocês compreenderem o significado da moral atualmente existente e se libertarem das suas limitações interesseiras e egoístas, virá a inteligência que é a verdadeira moral. A moral verdadeira não se baseia no temor e, portanto, está isenta de repressão. A moral existente, embora professando amor e sentimentos nobres, acha-se baseada na segurança egoísta e no espírito de aquisição. Vocês querem que essa moral seja mantida? As igrejas são edificadas pelo medo de vocês, pelos seus desejos de continuação egoísta. A moral da religião e dos negócios nasce da profunda segurança egoísta, não sendo, portanto, moral. As igrejas e outras organizações, não podem servir de auxílio para vocês, por se acharem baseadas na estupidez humana e no espírito de aquisição (Krishnamurti, em "Krishnamurti no Chile e no México em 1935").

O Caminho Infinito, movimento espiritual fundado nos Estados Unidos por Joel S. Goldsmith, cuja mensagem expandiu-se para vários países da Europa e América Latina, é confundido por algumas pessoas ainda hoje como sendo mais um ensinamento moralista. Inclusive, confesso que eu mesmo estranhei um pouco no início até compreender melhor. Isso ocorre, talvez porque ele utilizou nos seus primeiros livros, uma linguagem religiosa baseada nas Escrituras conforme ele mesmo fez um comentário em um de seus livros. Contudo, podemos encontrar uma linguagem mais moderna em seus livros "O Suprimento Invisível", "As Palavras do Mestre", entre outros.


Mas, de qualquer forma, a mente humana estranha e rejeita naturalmente o que é novo e desconhecido para ela.


Agora eu o defino como o caminho do meio ou do equilíbrio. Por exemplo, tem pessoas que são conduzidas inconscientemente para um lado ou outro dos extremos da mente dualística. Às vezes são reprimidas pela religião e outras vezes caem em decadência moral, até encontrarem o equilíbrio espiritual. Já o Caminho Infinito não obriga nem impõe nada, fica a disposição de cada um alcançar ou não o equilíbrio. Ele apenas ensina a não amar, odiar nem temer o reino e a glória deste mundo (Mateus, 4:8 a 10). E não se trata de religião.


Se você não atribui um valor exagerado às coisas externas (materiais), logo não se apega nem se vicia. Se você não odeia ou teme, logo não se abstêm ou foge com medo (transcende o desejo). Então você se torna uma pessoa livre e destemida, não mais dependente dos aparentes poderes externos. Assim você passa a ser o dono de seu destino e de sua vida de forma consciente e natural. Utiliza as coisas externas e as mantém sob controle sem dificuldade, e não é mais dominado por elas, ou não se torna escravo da matéria nem dos vícios. Na realidade, é isso o que realmente almejamos intimamente, embora muitos não alcancem devido o estado de consciência que se encontram.


O desejo é uma questão delicada de explicar, já que todo mundo tem desejos. Há expressões como: "evitar os desejos", "eliminar os desejos", etc. Mas como? A conseqüência da repressão é a compulsão (extremos da mente dualista).


Quando compreendemos a frase de Jesus: "Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás", então podemos entender que não amando, odiando ou temendo o reino material, nós adquirimos naturalmente o domínio espiritual do desejo, sem haver repressão ou abstinência (pose de santo). Ou seja:


Já não queremos excomungar e extirpar os desejos; o único objetivo que nos domina por completo é o de sempre conhecer tanto quanto for possível.

Quem deseja seriamente se tornar livre perderá a inclinação para erros e vícios, sem que nada o obrigue a isso; também a raiva e o desgosto o assaltarão cada vez menos. Pois sua vontade não deseja nada mais instantemente do que o conhecimento e o meio de alcançá-lo, ou seja: a condição duradoura em que ele está mais apto para conhecer (Nietzsche, em "Humano, demasiado humano").

É aqui, nessa questão que muitos espiritualistas fracassam.


Não se preocupar com os desejos, ou não lhe atribuir poder e focar a atenção na busca da verdade conforme sugere também o filósofo Nietzsche, é a mesma coisa que não amar, odiar ou temer os desejos, ou o que quer que seja. Embora, muitos fazem confusão a respeito disso. Do contrário poderemos voltar a ser uma pessoa medrosa e reprimida, e não realmente livre.


Quando odiamos as coisas externas, condenamos ou excomungamos a existência. Quando tememos, estamos acreditando em poderes externos. Assim ignoramos e negligenciamos o nosso Ser interior, o Topo-Poderoso, o único Poder real. Desse modo, não há como não ser escravo dos desejos, das coisas externas, mesmo que não queiramos e lutemos contra, com todas as nossas forças.


O despertar da nossa consciência espiritual, não é algo que exija sacrifício e esforço próprio, porém apenas compreensão e prática diária de reflexão e meditação, a respeito da verdade única interior. Não significa um viver triste e desagradável, através de repressão e abstinência, pois "onde está o espírito de Cristo, aí há liberdade" (II Coríntios, 3:17).


Na verdade, não somos nós como pessoas humanas quem alcança algum equilíbrio espiritual, porém o despertar da nossa consciência, já que isso é um dom de Deus, segundo o apóstolo Paulo (Efésios, 2:8 a 10).


Veja esta questão através de um outro ângulo:


... a própria coisa que tememos e de que estamos tentando fugir se apega a nós, mas se não pusermos amor, ódio ou medo na coisa, estaremos livres dela. Esta é a lei de causa e efeito.


Só se experimenta o mal porque existe uma crença universal em sua realidade e em seu poder. Na proporção em que você conseguir aceitar Deus como Onipotência, o mal perde seu poder aparente, seu poder em crença.


... podemos aceitar o mal em nossa mente e fazer dele um poder em nossa vida, não que ele tenha poder por si só, mas porque permitimos que ele tenha poder pela nossa aceitação dele.

O amor que estou pedindo a vocês que abandonem é aquele que cria dependência ou esperança em relação a alguma pessoa. Em outras palavras, precisamos voltar para dentro de nós (Joel S. Goldsmith, em "Viver Agora").

Portanto, nada é proibido e tudo é permitido principalmente quando fazemos aos outros, o que gostaríamos que nos fizessem, conforme ensinou o sábio psicólogo Jesus Cristo. Assim, não agimos incoerentemente, nem hipocritamente.


Contudo:


Não nego, como é evidente - a menos que eu seja um tolo -, que muitas ações consideradas imorais devem ser evitadas e combatidas; do mesmo modo, que muitas consideradas morais devem ser praticadas e promovidas - mas acho que, num caso e no outro, por razões outras que as de até agora. Temos que aprender a pensar de outra forma - para enfim, talvez bem mais tarde, alcançar ainda mais: sentir de outra forma. (Nietzsche, em "Aurora").

Enquanto isso, de uma forma ou outra, seja qual for nossa atitude, que sejamos religiosos ou não, experimentamos naturalmente sempre as conseqüências correspondentes aos nossos atos enquanto estamos subjugados pela lei do carma (causa e efeito). Porém a opção é sempre nossa, se não gostamos de tal conseqüência (efeito), mudemos a causa (atitude), para obter um efeito diferente. Isso significa oportunidade de aprender sempre. Pois, é errando que se aprende, o problema é permanecer no "erro" (inconsciência). Porém, não veja a lei dualista de causa e efeito deste mundo condicionado pela mente, como sendo o julgamento de Deus (da Vida). A lei dupla de causa e efeito, conhecida como lei cármica, é lei da mente dualista condicionada. Ela mesma cria a desordem e depois tenta controlar. Enquanto isso, os chamados desencarnados também têm mente, embora não seja mais um cérebro físico.


Afinal, nós somos livres ou não? Na verdade, somos livres para escolher sempre no agora o nosso destino, é simples assim! Deus (ou a vida generosa), não se opõe a você, pois a vida é você mesmo. Por isso, quanto mais lucidez melhor. Do contrário, a mente condicionada nos conduzirá e nossa liberdade dependerá do nosso grau de consciência.


Quando transcendemos a mente dualística humana, em tal estado elevado de consciência, não existe mais a dualidade, não existe mais o bem e o mal ao mesmo tempo. Permanece apenas uma verdade superior, o amor ou o bem supremo (o perdão eterno).


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