Julgamento da Mente Dualística

O texto seguinte do sábio filósofo Nietzsche contém uma psicologia muito profunda, por isso, leia com calma e atenção:


Nenhuma experiência relativa a alguém, ainda que ele esteja muito próximo de nós, pode ser completa a ponto de termos um direito lógico a uma avaliação total dessa pessoa; todas as avaliações são precipitadas e têm que sê-lo. Por fim, a medida com que medimos, nosso próprio ser, não é uma grandeza imutável, temos disposições e oscilações, e, no entanto teríamos de conhecer a nós mesmos como uma medida fixa (perfeita), a fim de avaliar com justiça a relação de qualquer coisa conosco. A conseqüência disso tudo seria, talvez, que de modo algum deveríamos julgar; mas se ao menos pudéssemos viver sem avaliar, sem ter aversão e inclinação! - pois toda aversão está ligada a uma avaliação, e igualmente toda inclinação. Um impulso em direção ou para longe de algo, sem o sentimento de querer o que é proveitoso ou se esquivar do que é nocivo, um impulso sem uma espécie de avaliação cognitiva sobre o valor do objetivo, não existe no homem. De antemão somos seres ilógicos e por isso injustos, e capazes de reconhecer isto: eis uma das maiores e mais insolúveis desarmonias da existência. (Nietzsche, em "Humano, demasiado humano").

Portanto, o julgamento da nossa mente dupla condicionada nos faz agir de forma injusta, porque ao invés de amar e perdoar, nós agimos de forma contrária. O julgamento da mente condicionada é a causa das maiores e mais insolúveis desarmonias da existência.


A pessoa quando julga e condena, na realidade se considera melhor que os outros, mais virtuosa, mais santa, mais justa, etc. (crença religiosa). Apesar de não conhecer a sua verdadeira identidade interior.


A crença na existência do mal, segundo a qual o homem é mal e pecador por natureza, é a causa do inferno aparente na Terra. Os fariseus religiosos da época de Jesus tinham esta mesma visão, a qual condenava o ser humano. É preciso perceber isso com urgência.


Ou seja, esta grande e insolúvel desarmonia da existência, tem por causa o nosso cérebro ilógico e injusto, que julga e condena pelas aparências externas, devido não conhecer a verdadeira origem do ser humano. Ou seja:


... a medida com que medimos, nosso próprio ser, não é uma grandeza imutável, temos disposições e oscilações, e no entanto teríamos de conhecer a nós mesmos como uma medida fixa, a fim de avaliar com justiça a relação de qualquer coisa conosco. A conseqüência disso tudo seria, talvez, que de modo algum deveríamos julgar...

Jesus havia alcançado essa visão superior de medir seu próprio ser interior, através de uma grandeza imutável, não vendo a si mesmo e ao próximo como seres maus e imperfeitos. Ele não tinha uma crença que oscilava entre o bem e o mal. Ele conhecia a si mesmo como uma medida fixa ou perfeita, sua verdadeira identidade espiritual, por isso era capaz de avaliar com justiça a relação de qualquer coisa com Ele. Desse modo, podia dizer com convicção: "Pai, perdoai-os, porque não sabem o que fazem". Logo, Ele não julgava segundo as aparências externas. Infelizmente, nós ainda somos primários quanto a esta questão mental e emocional.


Ao compreender realmente este texto profundo do filósofo Nietzsche, percebemos que não adiantou ele ter criticado o apóstolo Paulo, nem a Jesus, pois vira e volta, ele se refere à mesma verdade, com outras palavras.


"Seres ilógicos" para quem ainda não sabe, significa "seres ingratos, insanos" (mente inflexível), mente com pouca consciência. Por isso o apóstolo Paulo disse:


Quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo (I Coríntios, 2:14 a 16).

Quando se trata de uma mente mais iluminada, não basta tentar entender apenas intelectualmente, é preciso sentir e vivenciar este estado elevado de consciência, nem que seja por um breve momento, senão não saberemos jamais o que significa. No entanto, não significa que Nietzsche tivesse uma mente iluminada como a de Jesus, porém tinha uma mente bem mais iluminada que da maioria dos homens de sua época. Isso indica que ele compreendeu a questão, porque ele mesmo afirmou que não existem homens (ser humano) com tal competência (de não julgar o próximo), e no mesmo livro ele ainda pergunta: "Como pode o ego agir sem ego?".


Entretanto não devemos confundir o verdadeiro Homem com o cérebro condicionado pelas crenças antigas. Pois nós não somos a mente iludida (inconsciência), somos a vida (consciência), embora aparentemente limitada por enquanto, porque a mente substituiu a nossa vida (Cristo em nós, nossa verdadeira identidade). O cérebro ilógico está no comando da falsa e limitada realidade que criamos.


Portanto, quem é ilógico (ingrato, ranzinza), é o ego (mente sombria, pessimista). A mente neste estado inconsciente, ainda atual, só ver maldade em tudo. Ela julga, condena, acusa, reclama. É a ingratidão à vida, é o próprio inferno no paraíso (desarmonia da existência), como Nietzsche descreveu tal problema.


Você percebeu que Nietzsche omitiu a palavra "inferno", utilizando uma outra expressão mais moderna? Ele era muito inteligente. Este texto do Nietzsche citado precisa ser estudado a fundo por inteligentes psicólogos e psiquiatras atuais, comparando sempre com a vida de Jesus.


Aí está à chave para a libertação da humanidade, assim o aparente inferno se transformará em paraíso novamente (Isaías, 11:1° a 16). Portanto, o resgate da consciência espiritual da humanidade, não está exatamente na religião, porém na ciência, especialmente numa psicologia menos materialista que a atual.


Contudo, uma ou mais religião e filosofia científicas e modernas poderá ser útil como suporte inicialmente. Mas quem professa uma religião ou uma filosofia criada pela imaginação da mente dualística (passado e futuro, pecado e santidade, bem e mal), ainda não pode saber o que viria a ser uma religião ou filosofia otimista e científica, a qual valoriza e prioriza a vida real agora. Nesse caso, já não seria mais nem religião ou filosofia, porém ciência mesmo, pois religião é sinônimo de fanatismo. Por isso, a tendência é que as religiões mais inteligentes modifiquem seus vocabulários, utilizando cada vez mais, palavras modernas e científicas (realistas). Infelizmente, tem sempre aqueles fanáticos e conservadores que não arredam pé do passado e não acompanham a evolução da vida (vir a ser). O despertar da consciência espiritual da humanidade. Por favor, não confunda com a ambição de vir a ser quem não somos.


Enquanto isso, nós não devemos generalizar nem confundir, o cérebro ilógico do ser humano (juízo humano, erro da razão) com a lucidez da vida real interior (consciência espiritual profunda). O próprio Jesus falou: "Não resista ao mal" (ou diga sim a vida inocente). Pois, não resistir ao mal significa não acreditar que seja real o que na verdade não passa de ilusão criada pela nossa mente condicionada (uma falsa realidade).


Não olhes para a Medusa (mitologia grega) diretamente (acreditando que seja real), do contrário você se identifica mentalmente e fica dominado pelo "mal". Por trás do feio, do horror, do mal, está a verdade perfeita que Deus (a vida) criou. Utilize um "espelho" ou uma "lente", para ver através e além da Medusa (aparência de mal). Essa "lente transparente" significa uma mente pura ou cristalina, livre de conceitos intelectuais opostos (sabedoria humana). Crença oposta de bem e mal.


O que ainda chamamos de mitologia, é na verdade pura psicologia (Inteligência Emocional). Creio que está na hora da psicologia moderna investigar seriamente aquilo que conhecemos ainda como mitologia grega, e trazer a tona o profundo significado de sua simbologia.


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