Inteligência Emocional
Comparemos a seguir o que Nietzsche escreveu sobre o estado psicológico que não guarda rancores ou ressentimentos, com o que Eckhart Tolle também escreveu a respeito, em seu livro "O Poder do Agora". Isso significa aquele equilíbrio almejado pela psicologia e pela psiquiatria. O equilíbrio entre a razão e a emoção, algo que Jesus experimentava com muita facilidade, exatamente porque não resistia ao mal, como Ele próprio ensinou, mas até agora não aprendemos tal lição simples. Não resistir ao mal significa compreender que os conceitos intelectuais opostos de bem e mal (extremos da mente), nada mais são que equívocos intelectuais, a soberba da mente em querer saber mais do que a vida e a natureza:
A respeito disso, Nietzsche citou o exemplo do nobre "Mirabeau, que não conservava na memória os insultos nem as infâmias e que não podia perdoar, simplesmente porque esquecia. O nobre, de uma só sacudida, se desembaraça da bílis que instala nos outros; só ele pode amar os inimigos, se é que tal amor é possível, de maneira geral, na terra".
Logo, caso ainda alguém duvide, Jesus também foi nobre no verdadeiro sentido da palavra. A "sacudida" ou o "esquecer do ressentimento", no ser humano significa perdão (inteligência emocional). Agora veja o que Eckhart Tolle escreveu semelhantemente a isso:
Vivi com alguns mestres zen - todos eles gatos. Até mesmo os patos me ensinaram importantes lições espirituais. Observa-los é uma meditação. Como eles flutuam em paz, de bem com eles mesmos, totalmente presentes no Agora, dignos e perfeitos, tanto quanto uma criatura sem mente pode ser. Eventualmente, no entanto, dois patos vão se envolver em uma briga, algumas vezes sem nenhuma razão aparente ou porque um pato penetrou no espaço particular do outro. A briga geralmente dura só alguns segundos e então os patos se separam, nadam em direções opostas e batem suas asas com força, por algumas vezes. Então continuam a nadar em paz, como se a briga nunca tivesse acontecido. Quando observei isso pela primeira vez, percebi, num relance, que ao bater (sacudir) das asas eles estavam soltando a energia acumulada, evitando assim que ela ficasse aprisionada no corpo e se transformado em negatividade. Isso é sabedoria natural. É fácil para eles porque não têm uma mente para manter vivo o passado, sem necessidade, e então construir uma identidade em volta dele.
Observe as plantas e animais, aprenda com eles a aceitar aquilo que é e a se entregar ao Agora. Deixe que eles lhe ensinem o que é Ser, o que é integridade - estar em unidade, ser você mesmo, ser verdadeiro. Aprenda como viver e como morrer, e como não fazer do viver e do morrer um problema.
Observe a semelhança entre as frases de Nietzsche e Eckhart Tolle. Por exemplo: "não conservava na memória os insultos", "não têm uma mente para manter vivo o passado", "de uma só sacudida, se desembaraça da bílis", "ao bater das asas eles estavam soltando a energia acumulada", etc.
É como se o homem nobre não tivesse uma mente humana (cérebro duplo). Isso acontece porque a mente do homem nobre se libertou do condicionamento das crenças humanas, ao compreender e vivenciar a verdade única e eterna: "Eu e o outro somos um", "Eu e o Pai somos um". O bem e o mal são conceitos intelectuais opostos (sabedoria humana). Tal convicção não se adquire de uma hora para outra como supõe os teóricos, nem se adquire em escolas e universidades. Pelo menos, as atuais que nem sequer suspeitam da importância da inteligência emocional, trabalhada através de uma psicologia mais avançada e menos materialista. Quanto a isso, estamos ainda engatinhando.
Muitas pessoas "inteligentes" ainda hoje ficam confusas, devido Jesus não ter encarado como sendo um problema a sua própria morte. Isso não é muito difícil para quem conhece a si mesmo independente da forma aparente (corpo físico). Mas é lógico que ninguém que ama a vida (a si mesmo) quer sofrer ou morrer, porque esse não é o objetivo da vida, exatamente porque ela é eterna e harmoniosa.
Conclusão, ao comparar os dois textos citados, nós podemos perceber que, o que Nietzsche chamava de "homem nobre", significa o homem de consciência desperta, o homem "superado". Assim sendo, ele sabia do que estava falando, embora não tenha sido muito claro em sua época.
A mente inflexível (condicionada) mantém ilusoriamente, vivo na memória o passado sem necessidade já que o passado não existe de fato (passado e futuro). Nesse caso a mente coletiva condicionada se identifica com a lembrança da realidade passada (memória), crendo que ainda seja real (equívoco intelectual). Desse modo tem dificuldade de perdoar ou esquecer o passado, tem dificuldade de perdoar os outros e a si mesmo. Isso significa o sonho da mente (inconsciência humana), admitir como sendo real uma simples lembrança da memória. Significa confundir imaginação com realidade. Foi por isso que o apóstolo Paulo abriu mão do rudimento da doutrina provisória de Cristo, inclusive ao que ele denominou de "o fundamento do arrependimento de obras mortas", ou sentimento de culpa (Hebreus, 6:1° a 2). É necessário perceber a importância psicológica disso. Algo semelhante observou também Joel S. Goldsmith:
Não podem viver no ontem. Não há nenhum ontem em sua experiência, exceto aquele que trouxerem na memória (O Suprimento Invisível).
As pessoas agem de determinada forma porque tem seus motivos momentâneos, mas tudo passa e as pessoas mudam, evoluem. Umas rapidamente outras mais lentamente. Contudo, todos nós cometemos os mesmos erros e acertos, até revelar a consciência total interior, mais cedo ou mais tarde. Portanto, "quem nunca errou que atire a primeira pedra". Não fazemos os outros sofrerem porque queremos, mas devido nosso estado atual de consciência, ou melhor, de inconsciência.
Que interessante seria se hoje, um psicólogo muito inteligente e ousado, transcrevesse numa linguagem compreensível e acessível, a psicologia de Nietzsche! Para isso, antes ele teria que compreender e vivenciar realmente tal psicologia. O que Nietzsche escreveu, vai muito além do que até agora muitos conseguiram entender. Ao invés de observarem atentamente a psicologia otimista e sábia do filósofo Nietzsche, contudo ficam apegados e comentando somente os seus últimos momentos de existência, como ele morreu. Ora, e como foi que Jesus também morreu? Não foi também uma morte trágica e triste?
Com base nos textos apresentados, podemos perceber que a causa do ressentimento está na mente inflexível, conservadora. Na falta de perdoar e aceitar a realidade do momento presente como ela é. A própria idéia de pecado (má consciência), conceitos intelectuais opostos como "pecado e santidade", sustentados pelas religiões e filosofias moralistas, é a causa da inflexibilidade da mente, da falta de perdão. Mente maliciosa. É preciso ver além do aparente mal e bem. Enquanto houver a crença na existência do mal (pecado original), "bem e mal", a mente continuará naturalmente inflexível, incapaz de perdoar. E enquanto os sermões moralistas aumentarem na mídia, a violência aumentará conseqüentemente. Observe e preste atenção à realidade em sua volta. Sejamos sinceros e realistas.
Como isso acontece psicologicamente falando? Ou seja, a mente condicionada enxerga algo que ela julga que seja mal (afinal nós fomos convencidos pela religião moralista desde a infância), então a mente naturalmente tenta corrigir o suposto mal, achando que isso é o certo e o melhor a fazer. Em seguida já sabemos o que acontece, basta observar rapidamente o inferno aparente nos jornais todos os dias. Por isso Jesus falou:
Pai perdoe-os porque não sabem o que fazem!
É impossível haver paz e harmonia (equilíbrio) sem amor e perdão, sem "enxergar" luz onde há trevas aparentes! Como poderei amar o meu próximo, se eu acredito que ele é mau e pecador por natureza? Mesmo que eu queira amar e perdoar, a minha mente condicionada por tais conceitos, não vai aceitar porque isso não é justo para ela, já que ela entende que o ser humano é mal e deve ser punido ou corrigido. Logo, a justiça da mente que acredita no mal, é uma injustiça porque na verdade a vida é perfeita e inocente. Assim o paraíso terrestre vira um inferno aparente.
O sentimento verdadeiro de amor envolve a compreensão, o perdão, a tolerância, a solidariedade, a amabilidade, a inclusão, a flexibilidade, a sensibilidade, a paciência, a coragem, o respeito ao próximo, a empatia, o desapego, etc. Ou seja, os sentimentos mais nobres do ser humano consciente e lúcido que expressa sua verdadeira identidade a qual é espiritual.
A desarmonia da existência, ou o inferno aparente na Terra é causado pela mente humana coletiva que resiste ao mal aparente, a qual pretende soberbamente corrigir a realidade e a natureza, acreditando que Deus (a vida) fez tudo errado. Por exemplo, a idéia antiga de que o sexo natural seja algo impuro e pecaminoso. Ou seja, a natureza inteira está errada então, e na sabedoria humana (intelectual) está à verdade. Precisamos "acordar" desse longo pesadelo moralista.
Enquanto acreditamos que o mal é real, que o instrumento de sobrevivência da mente, o egoísmo (aversão e inclinação) seja um mal, e que por isso o ser humano é mal por natureza, a nossa mente vai continuar julgando e condenando a realidade. Porém, na realidade a nossa verdadeira origem interior é perfeita e inocente.
A aversão e a inclinação (medo e desejo) devem ser compreendidas e não temida (reprimida), nem adorada ou odiada, para que não percamos nosso centro interior de equilíbrio e domínio da realidade externa, e assim sejamos dominados pelas aparências, nos tornando dependentes e escravos das coisas aparentes e superficiais.
Quanto ao egoísmo, é claro que, quando não enxergarmos mais como sendo um mal, alcançamos naturalmente o equilíbrio almejado entre a compaixão e o egoísmo, através da pureza mental que obtemos a partir de então.
Na realidade, "compaixão e egoísmo" são extremos da mente e rótulos mentais. Logo, enquanto acreditamos que os conceitos opostos originários da mente humana condicionada (cérebro duplo), são reais e não imaginários, continuaremos indefinidamente identificados com tais conceitos dualísticos, como sendo a verdade.
Porém alguém pode dizer: "Mas o egoísmo é algo real, porque temos visto diariamente as atitudes das pessoas". Entretanto, o que entendemos como sendo egoísmo, é apenas a atitude humana que se encontra desequilibrada, exatamente devido a nossa mente condicionada acreditar que o egoísmo seja um mal e não apenas um instrumento de sobrevivência da própria mente (aversão e inclinação natural de qualquer cérebro duplo). Impulso natural em direção ou para longe de algo, uma espécie de avaliação cognitiva sobre o valor do objetivo, um sentimento de querer o que é proveitoso e de se esquivar do que é nocivo (desejo e medo).
É claro que tal instrumento de sobrevivência existe, enquanto vivemos em um mundo condicionado pela mente dualista coletiva. Porque a Vida onipotente, onipresente e onisciente não precisa de nenhuma defesa, já que não existe perigo algum, ou dois "poderes" (bem e mal). Senão na imaginação de nosso cérebro duplo.
Ao compreender isso, chegaremos facilmente à conclusão de que, quem salvará o mundo da violência (decadência) será a psicologia, a psiquiatria e a psicanálise (a ciência) e não exatamente as religiões moralistas, as quais fazem exatamente o contrário até hoje. Enquanto isso, tais religiões ao evoluírem, ou se evoluírem, revelarão a verdadeira essência oculta, nossa verdadeira identidade espiritual inocente.
É necessário que:
Reconheçamos que toda aparência de mal é uma percepção falseada da harmonia, e por isso não é para ser temida ou odiada; e, como resultado, a ilusão desaparecerá e a realidade se tornará clara. Apenas a consciência iluminada pode olhar para as aparências de mal e perceber a realidade divina. Somente o Cristo em nossa consciência pode separar o erro da sua aparente realidade e retirar-lhe os espinhos.
O enfoque usual da vida se deve a uma interpretação errônea, devida à falsa percepção das coisas; por isso devemos abandonar qualquer intenção de curar, corrigir ou mudar o cenário material para que possamos ver a Verdade oculta.
Aquilo que recai sob os cinco sentidos não é a realidade das coisas; assim não podemos julgá-las neste nível. Deixando de lado as aparências, damos as costas ao quadro que se apresenta aos nossos sentidos e começamos a ter consciência da Realidade - daquilo que é eterno (Joel S. Goldsmith, em "O Caminho Infinito").
Logo, poderemos concluir que, inteligência emocional é a mesma coisa que inteligência espiritual.




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