Expressão da Vida Através do Indivíduo
É possível que o Deus que me deu expressão ainda esteja aqui, governando-me como Ele está governando as marés, o sol, a lua e as estrelas? (Joel S. Goldsmith, em "O Despertar da Consciência Mística").
Na verdade, Deus não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. Porque convinha que em tudo, Ele (Jesus) fosse semelhante aos irmãos... (Hebreus, 2:16 e 17).
Para o bom entendedor, os dois versículos estão dizendo que Jesus era humano como seus irmãos (nós), claro, porque não poderia ser de outra forma.
Quando algum versículo se refere a “pecado” eu evito utilizar (como o exemplo do final do versículo 17), porque geralmente as pessoas ainda acreditam muito nele como um poder além de si mesmas. A frase “expiar os pecados”, descrito no final do segundo versículo citado, se refere à purificação ou libertação da idéia de pecado (consciência de pecado), má consciência adquirida através das religiões moralistas.
Portanto, cuidado com o pessimismo dos complexados (Atos, 13:44 a 46). Eles ainda estão entre nós, nunca se consideram dignos da vida eterna agora, a não ser depois da morte física. Estão apegados a livros antigos adulterados (considerados Sagrados).
Por favor, selecione estes dois versículos de Atos indicados, com carinho e atenção, e perceba a incrível diferença entre a psicologia otimista de Cristo e a mentalidade pessimista dos fariseus naquela época. E façamos de conta que estamos naquela época, mesmo porque não faz muita diferença. Tudo continua acontecendo no mesmo instante eterno. Isto significa que somos os mesmos, somos como livros que foram apenas atualizados ou reeditados sempre agora. O problema é o conteúdo pessimista do livro que permanece.
A mente dos fariseus funcionava da seguinte forma segundo tais versículos: Eles não se consideravam dignos da vida ("não sou o bastante"), porém insistiam em ser bons e justos (contradição, confusão mental). Mas como nunca conseguiam ser realmente bons, porque nunca se consideravam dignos, projetavam tal perfeição para o futuro imaginário. E assim as coisas reais agora ignoradas, continuavam como sempre negligenciadas.
Isso significa o ego ambicionar ser igual ao Altíssimo (a vida sábia), segundo a linguagem antiga, embora jamais possa ser igual à vida. Mas, por que não pode? Porque o nosso cérebro veio do pó e ao pó tornará, segundo está escrito (cientificamente correto).
Entretanto, nós não somos matéria, ou cérebro (ego) que pretende ser igual ao Altíssimo (a vida), porém somos a própria vida, por isso não há tal necessidade de redenção no futuro que não existe de fato. Assim sendo, o filósofo Nietzsche estava certo mais uma vez, inclusive o filósofo Spinoza.
Desse modo invejam as virtudes de nossa vida inocente e espontânea (pessoas livres). Mas o que não sabiam, é que a vida real não tem nada a ver com o cérebro, ou com a imaginação da mente (devaneio mental). Crenças.
O homem imperfeito que costumam se referir em seus sermões de condenação (inclusive em livros), é o ego e não a vida (a verdadeira natureza do ser humano e de todas as coisas), pois confundem o ego com a vida, devido à influência desde a infância, da falsa psicologia de redenção divulgada através das religiões moralistas.
A nossa mente não pode acreditar nem "enxergar" a perfeição natural da vida inocente (nós, nossa natureza real), porque a nossa mente é dupla, acredita sempre no bem e no mal ao mesmo tempo. E isso significa visão superficial, confusão mental, dúvidas e incertezas psicologicamente falando. Uma "calculadora" não deve julgar a vida, porém a vida é quem deve manusear tal "calculadora" (cérebro duplo).
Assim, a nossa mente enxerga imperfeição onde há perfeição e vice versa. Por isso, a moral humana é falha e precipitada (superficial). Quando tenta consertar ou corrigir a realidade por meio da resistência mental, piora ainda mais. Tal moral humana maliciosa torna o indivíduo cada vez mais maldoso e desconfiado. A mesma coisa aconteceu com os fariseus no passado, através do Velho Testamento.
A ciência sempre suspeitou que no cérebro humano houvesse a resposta para tudo. Mas só é possível estuda-lo melhor quando conseguimos "sair" de dentro dele, do tempo da mente (passado e futuro). Devaneio mental (imaginação). E encaramos a realidade como ela é independente de rótulos intelectuais. É preciso perceber urgentemente que:
Uma gota de sangue a mais ou a menos, em nosso cérebro, pode tornar extremamente miserável e dura a nossa vida, de tal modo que sofreremos mais com essa gota do que Prometeu com seu abutre. O mais terrível, porém, acontece quando não se sabe que essa gota é a causa. E sim "o Diabo!" Ou "o pecado!". (Nietzsche em "Aurora").
Por favor, reflita e medite sobre esta sábia frase do filósofo Nietzsche, perceba claramente a sua profundidade e veracidade. Aí está a causa do erro das religiões e filosofias pessimistas (moralistas).
Na realidade, a nossa mente dualística condicionada funciona como uma máquina de escrever conceitos. Ela nomeia as coisas, rotula, separa, discrimina (julga), (Gênesis, 2:19 e 20). O nosso cérebro duplo por natureza não sabe jamais que todos os seres e todas as coisas têm uma origem única (a vida inocente e sábia). A unicidade perfeita. Embora o nosso cérebro seja duplo, trabalham unidos comparando e julgando a realidade natural.
Para o nosso intelecto condicionado qualquer objeto é coisa distinta, separado e individual. É assim que ele analisa naturalmente, porque não poderia ser de outra forma, todavia devido ele ser literalmente um computador. O problema é que ele analisa as coisas superficialmente e precipitadamente, todavia devido não ser naturalmente profundo nem minucioso. Ou seja, não analisa com calma e demoradamente. Tal faculdade silenciosa e paciente pertence somente à vida (lucidez) através da concentração total (calma). Atenção e silêncio.
Perceba a diferença entre a ação de uma pessoa que se encontra pensando, da ação de alguém que esteja concentrada no que está fazendo. Pois, quem está pensando, está sempre entre o passado e futuro imaginário da mente (fora da realidade). E a concentração exige silêncio mental, observar atentamente à realidade, sem a interferência dos pensamentos e do julgamento da mente. É quase impossível pensar e executar ao mesmo tempo qualquer tarefa. Até da para executar, porém com péssima qualidade sem falar dos acidentes que podem ocorrer por falta de atenção.
Por exemplo, segundo Nietzsche:
Podemos pensar muito, muito mais cosias do que podemos fazer ou vivenciar - ou seja, nosso pensamento é superficial e está satisfeito com a superfície; de fato, não a percebe. Se nosso intelecto tivesse se desenvolvido rigorosamente na medida de nossa força e de nosso exercício da força, teríamos no lugar mais alto, em nosso pensamento, o princípio de que só podemos compreender o que podemos fazer - caso exista o compreender. O sedento carece de água, mas as imagens de seu pensamento lhe trazem sem cessar a água diante dos olhos, como se nada fosse mais fácil de obter - a natureza superficial e facilmente satisfeita do intelecto não pode apreender a verdadeira necessidade e aflição, e sente-se superior: tem orgulho de poder mais, de correr mais velozmente, de num instante quase atingir a meta - e assim o reino dos pensamentos parece, comparado ao reino do fazer, querer e vivenciar, um reino da liberdade: quando, como disse, é apenas um reino da superfície e da não-exigência. (Aurora).
Através deste texto sábio do filósofo Nietzsche, é possível compreender melhor a mitologia grega, a alegoria de Hermes e a tartaruga, por exemplo. Pensamos muito e fazemos pouco, o pensamento fácil e veloz (ao alcance de todos), parece com o vivenciar ou com a realidade, mas não tem nada a ver com a realidade, embora geralmente seja confundido com a mesma. A nossa psicologia moderna precisa descobrir a riqueza e profundidade da mitologia grega, o quanto antes. É preciso mudar o termo mitologia (culto pagão) para psicologia (ciência da mente e do comportamento animal e humano). Hermes simboliza o pensamento, e a tartaruga o exercício prático. Exercício, exercício, exercício.
Enquanto isso muitos "vivem" pensando, imaginando, sonhando acordado, quase atingindo a meta, porém jamais atingem tal meta, porque ela é apenas imaginária. É preciso agir agora conscientemente e imediatamente, embora não precipitadamente, nem superficialmente. É necessário vivência e aprimoramento (experiência real), é preciso ousar fazer, porém sem pressa e com muita calma e silêncio interior.
Enquanto a nossa mente humana estiver febrilmente ativa, o Cristo não poderá irromper e revelar-se. Somos uma nação de apressadinhos. Ignoramos que o melhor caminho para realizar qualquer coisa é contar com longos e freqüentes períodos de quietude, sem nada para fazer ou para obter. Quando recebemos a inspiração, torna-se possível fazer mais em uma hora do que humanamente faríamos em vinte e quatro. A pessoa que procura manter sua mente serena realiza mais em menos tempo do que a pessoa mentalmente inquieta. E aquela que sobe o próximo degrau abrindo-se à atividade do Cristo, para ela não há limites! Não há limites para o que o Cristo pode fazer em vinte e quatro horas por intermédio de um ser humano. Nenhum limite, em absoluto (Joel S. Goldsmith, em "O Suprimento Invisível").
A vida real interior (lucidez espiritual) sendo a verdade agora, ela não desiste enquanto não esclarece o obscuro ou o desconhecido, enquanto não se revela através de nós. Para tanto, é necessário que nos consideremos realmente dignos da vida (nossa verdadeira natureza), até que possamos senti-la interiormente aqui e agora.
O reino dos pensamentos segundo Nietzsche, parece com o reino do fazer e vivenciar, o qual é o verdadeiro reino da liberdade. Ou seja, a imaginação da mente, embora pareça livre e ampla, é um reino limitado e de sonhos. Enquanto pensamos muito, não fazemos nada de real. Tem pessoas que permanece no devaneio da mente, sonhando acordada a vida inteira, sem nada realizar de concreto. Isso é bastante comum devido o estado limitado de consciência que nos encontramos ainda hoje. "Qual é sua obra?".
Não importa que nunca sejamos considerados dignos pelos moralistas, que continuem nos denominando pecadores e indignos. Importa que saibamos quem nós realmente somos, e não quem nós pensamos que somos.




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