A Capacidade Interior

... não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus (II Coríntios, 3:5).

Quando descobrimos o nosso dom espiritual interior ou vocação e exercitamos por meio da ação paciente e consciente, encontramos naturalmente a prosperidade espiritual e conseqüentemente material. Mas a conclusão de tal tarefa acontece em seu devido momento oportuno. Não acontece tão rápido conforme exige a ambição insaciável e a impaciência do ego. Por isso alguns impacientes e apressados resolvem roubar, subornar, falsificar e traficar ou se envolver em jogos achando que podem burlar o propósito da vida sábia interior.


Quando fazemos algo com prazer, amor e dedicação, de corpo e alma, já não importam mais o êxito ou o fracasso, embora, geralmente nós descobrimos isso mais tarde. Contudo, não existem dons e talentos mágicos ou instantâneos, é preciso aprimoramento e exercício constante (atenção, lucidez). Mas não confunda isso com esforço próprio do ego humano. No entanto, mesmo que você não acredite possuir interiormente algum dom ou vocação para alguma coisa, comece fazendo algo que você gosta, dê o primeiro passo concreto. Comece fazendo realmente agora apenas um esboço, um rascunho por mais simples e pobre que pareça inicialmente. É assim que se inicia um grande projeto, falo por experiência própria.


Porém, não trabalhe visando primeiro o lucro, se possível, mas com prazer e alegria em ser útil criativamente. Do contrário, o trabalho não terá jamais a qualidade necessária. O que fazemos com atenção e prazer, todavia significa meditação, e a qualidade do trabalho aumenta significativamente. Se visarmos apenas o lucro, aí entra o egoísmo e a ansiedade. Mas, a ansiedade ou querer, não é para ser negada ou reprimida, porém compreendida através da reflexão e meditação.


Executar uma atividade que gostamos, significa descobrir nossa vocação espiritual interior. Depois precisamos ir além de gostar e não gostar.


Evite sempre confundir prazer com desejo. Pois quem apenas deseja realizar algo, tem ainda alguma dúvida e por isso, demora de tomar uma atitude prática. E prazer nesse caso significa praticar agora com amor.


A nossa mente (instrumento da vida) enquanto inconsciente é fantasiosa, imagina muito e não realiza nada, e quando realiza algo, a qualidade é péssima. Somente a consciência da vida real interior agindo agora através de nós, é capaz de criar algo com qualidade e valor admirável. Portanto, "saia" do imaginário (passado e futuro) e coloque sua idéia mental no papel agora (único momento real), e aja imediatamente. Mas não se apresse em obter algum resultado, porque isso significa ansiedade ou inquietação da mente.


Mais importante do que fazer mecanicamente visando o lucro é fazer com atenção e prazer (amor). Não esquecendo que não é o ser humano quem faz, porém a vida sabia interior. Lembrando sempre as palavras de Jesus: "De mim mesmo nada posso fazer", "O Pai que está em mim, é quem faz as obras".


Teoricamente (intelectualmente) todo mundo é "inteligente", contudo a prática e a ação da vida real significam experiência direta, exercício e desdobramento constante da consciência na eternidade da vida agora.


Na realidade:


O mais confiante saber ou fé não pode proporcionar a energia para o ato nem a destreza para o ato, não pode substituir a exercitação do mecanismo sutil e múltiplo, que deve ocorrer para que algo possa converter-se de idéia em ação. Sobretudo e principalmente as obras! Ou seja, exercício, exercício, exercício! A "fé" correspondente logo aparecerá - estejam certos disso! (Nietzsche em "Aurora").


Afinal, "a fé sem obras é morta" (não passa de imaginação e não realidade) conforme está escrito na Bíblia, embora muitos ainda não compreenderam. Porém não confunda (como outros), obras (ação) com as "obras da Lei" (doutrina religiosa, conceitos, crenças). As obras que origina, todavia uma fé sólida significa "ação criativa", dedicação, atenção ao que estamos fazendo com prazer e entusiasmo (amor).


A "fé" sem ação real não passa de imaginação (devaneio mental). A fé e ação significam ciência prática.


Segundo Joel S. Goldsmith:


Na proporção de sua receptividade, você se beneficiará de seu estudo, mas isso também é uma questão de Graça. Se você passa apenas dez minutos por dia em estudo, esse é provavelmente o limite de sua capacidade. Mas quando há capacidade de expandir, você passará duas horas ou cinco horas. Tudo depende de uma Graça interior.


Depois de ter aprendido os princípios específicos do Caminho Infinito, deixe que eles saiam de sua mente e se afundem em seu coração, e você retirará aquilo que tiver guardado. Em seguida, após ter meditado, faça alguma coisa completamente diferente: vá ao cinema, assista à televisão ou leia um bom livro. Quando você não estiver pensando conscientemente em Deus, no momento em que Ele for necessário, Ele virá. Então, enquanto você vive normalmente, a Graça divina estabelece-Se e Ela fala a você (Viver Agora).

De uma forma ou de outra é preciso agir agora, quer seja estudando ou fazendo alguma outra atividade. Depois de estudar e aprender teoricamente, é necessário "sair" da mente, da teoria intelectual, sentir e vivenciar na prática. Após ter refletido e meditado em silêncio, faça alguma coisa, aja agora. Quando você estiver tranqüilo, quando não estiver pensando compulsivamente, a inspiração virá. O mesmo acontecia com o jovem Isaac Newton, ao relaxar e cochilar debaixo de uma árvore após seus estudos.


... o talento, habilidade, educação e a experiência de cada indivíduo são de fato a Consciência que se desdobra em caminhos individuais - como artista, músico, vendedor, homem de negócios ou ator. Segue-se disso que a Consciência, que expressa a Si mesma, nunca está sem oportunidade, reconhecimento e aceitação. Assim, não pode haver dom sem reconhecimento, um talento ou habilidade sem expressão, um esforço sem recompensa, uma vez que todos os esforços e ações são Consciência expressando suas infinitas capacidades e possibilidades. A percepção consciente desta verdade fará dispersar a ilusão de desemprego, a falta de recompensa ou de reconhecimento. Contudo, guarde isso muito bem, a repetição destas palavras sem uma parcela de "sentimento" da verdade que encerram, será como "nuvens sem chuva", "vãs repetições", nada (Joel S. Goldsmith, em "O Caminho Infinito").


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