Significado da Suposta Morte de Deus
Ao ler os livros do filósofo Nietzsche, percebe-se que a verdade que ele defendia e adorava era a própria vida. Leia mais sobre ele e verifique você mesmo. Contudo, não estranhe nem o critique somente porque ele disse que "Deus está morto". Pois, Nietzsche com estas palavras se referiu exatamente ao declínio da fé cristã em sua época. Aproveite e veja agora como ele descreveu a suposta "morte" de Deus:
O acontecimento de maior grandeza dos últimos tempos - o fato de que "Deus está morto", ou seja, o fato de que a fé no Deus cristão despojou-se da sua plausibilidade - já lança as suas primeiras sombras na Europa. (Nietzsche em "A Gaia Ciência").
Devido haver detectado também o declínio da fé cristã em sua época, foi que Lutero propôs a Reforma Protestante, com o objetivo de resgatá-la. Embora, o que Lutero fez com boa intenção em "salvar" a humanidade, foi atrasar a ciência ao continuar dando preferência ao imaginário em vez de dar prioridade à realidade da vida agora. Pois, quando um religioso se torna cético, ele nega um "Deus" imaginário e passa a valorizar a Vida real aqui e agora.
Quando dizemos que "Deus" separado da vida real (de nós), é imaginário (está morto, ou não existe), logo dizem que isto é blasfêmia, porque o imaginário é real para eles. Já a ciência da vida real, para eles é imaginação, não tem valor algum. O cérebro ilógico (pouco lúcido) prioriza o imaginário, a ciência precisa perceber tal doença mental. Afinal, o que poderia ser Deus separado da vida (consciência, lucidez, realidade), se Deus é a vida segundo a Bíblia? Mesmo que o termo ou o rótulo Deus não exista para alguns, segundo suas crenças e convicções, a vida real existe que acreditemos nela ou não. Pois, a vida continuará existindo infinitamente mesmo quando não mais tivermos um cérebro duplo carnal.
Confira outro texto de Nietzsche sobre a suposta morte de Deus, as observações entre parênteses são minhas:
Noutros tempos, blasfemar contra Deus era a maior das blasfêmias; mas Deus morreu, e com ele morreram tais blasfêmias. Agora, o mais espantoso é blasfemar da terra, (da vida real) e ter em maior conta às entranhas do impenetrável (do imaginário) do que o sentido da terra (da realidade da vida agora).
Há mil sendas que nunca foram calçadas, mil fontes de saúde e mil terras ocultas na vida. Ainda se não descobriram nem esgotaram o homem nem a terra dos homens.
O mundo é profundo, mais profundo do que o dia pensava.
Profunda é a sua dor e a alegria mais profunda que o sofrimento!
A dor diz: Passa!
Mas toda a alegria quer eternidade, quer profunda eternidade!
Noutros tempos a alma olhava o corpo com desprezo (devido à idéia de pecado), e então nada havia superior a esse desdém; queria a alma um corpo fraco, horrível, consumido de fome! Julgava deste modo libertar-se dele e da terra.
Ó! Essa mesma alma era uma alma fraca, horrível e consumida, e para ela era um deleite a crueldade!
Eu não sigo o vosso caminho, desprezadores do corpo! Vós, para mim, não sois pontes que se encaminhem para o Super-homem!
O que é de grande valor no homem é ele ser uma ponte e não um fim; o que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um acabamento.
Aos que desprezam o corpo quero dar o meu parecer. O que devem fazer não é mudar de preceito, mas simplesmente despedirem-se do seu próprio corpo e, por conseguinte, ficarem mudos.
"Eu sou corpo e alma" - assim fala a criança. - E por que se não há de falar como as crianças?
Entretanto o que está desperto e atento diz: - "Tudo é corpo e nada mais; a alma é apenas nome de qualquer coisa do corpo". (Nietzsche em "Assim Falou Zaratustra").
... pois eles vêem do corpo humano apenas a superfície, a pele; mas o corpo interior faz igualmente parte da idéia (Nietzsche em "Humano, demasiado humano").
A penúltima frase vai de encontro com o que o místico e espiritualista Joel S. Goldsmith escreveu. Confira:
Deus é a vida, a mente, o corpo e a substância do ser individual; por isso, nada pode ser acrescentado ao indivíduo, e a oração verdadeira é o reconhecimento constante desta verdade (O Caminho Infinito).
Observe que Nietzsche não negou exatamente a existência da alma, conforme certas religiões baseadas na Bíblia fazem. Ele disse que "a alma é apenas nome de qualquer coisa do corpo", "eu sou corpo e alma". Isso está correto e é muito profundo. E o interessante é que, aqueles que negam a existência de uma alma imortal no ser humano, ainda criticam o filósofo Nietzsche como sendo ateu e anti-Cristo. Olha só a contradição ruidosa.
Às vezes Nietzsche denominava de "alma" a crença religiosa que sempre buscou através de atos de penitências e autoflagelação, enfraquecer e debilitar o corpo físico, devido à idéia pessimista de pecado. Devido à crença em dois supostos poderes (bem e mal). Contradição, conflito, loucura.
Se quiser saber mais profundamente sobre o "corpo interior" que Nietzsche se referiu, leia os livros de Eckhart Tolle e de Joel S. Goldsmith. O corpo interior faz parte da idéia, quando menosprezamos o corpo exterior, estamos também menosprezando o corpo interior, o qual está interligado com o externo, ambos formando um único ser agora. Logo podemos perceber que Nietzsche tinha momentos de profunda lucidez espiritual. Contudo, acreditar que o homem seja apenas um corpo material significa exatamente confundir a origem profunda com a aparência superficial. Confundir a "vida orgânica" (instantânea), com a "vida espiritual" (consciência, presença invisível e eterna). Desse modo, também negamos a vida real interior sem querer, ou por ignorância. Equívocos intelectuais, ou lógica limitada e superficial.
Nós nos identificamos como "eu". Há um "eu", Joel; há um "eu", Maria; e um "eu", João - sempre um "eu", qualquer que seja o nome. Mas esse "Eu" não é o nosso corpo nem a nossa mente. O nosso corpo e a nossa mente não são o "eu" do nosso ser: são apenas os instrumentos por meio dos quais desempenhamos as funções que nos cabem na Terra.
A mente é o instrumento por meio do qual o "eu" do nosso ser pensa, raciocina, conhece, decide e julga. É usada para todos os propósitos de percepção. O corpo, por seu turno, é o instrumento físico que recebe ordens do "eu" por intermédio da mente.
Por exemplo, quando desejo levantar a mão, "eu", Joel, por intermédio da minha mente, dou essa ordem à mão e ela obedece. "Eu" governo a minha mente e a minha mente instrui o meu corpo. Por isso, "eu" domino tanto o meu corpo quanto a minha mente. Suponhamos, porém, que eu não exerça esse domínio que me foi dado por Deus desde o começo. Se "eu" não exercesse controle sobre a minha mente, permitindo que ela fizesse os seus próprios julgamentos, ou se deixasse o meu corpo comportar-se a seu gosto, meter-me-ia em toda espécie de confusão, como fazem todos aqueles que não aprenderam a aceitar e a exercer o domínio (Joel S. Goldsmith, em "O Suprimento Invisível").
Enquanto não conhecemos a nós mesmos interiormente, e ainda não fizemos um contato interior, acreditamos que Deus seja algo imaginário, separado de nós. E quando esse suposto deus morre, ou quando perdemos essa fé cega, descobrimos quem somos espiritualmente. Foi isso que Nietzsche quis dizer com a frase "Deus está morto". Quando o nosso deus imaginário e externo morre, nós acordamos e descobrimos Deus (a vida real) dentro de nós agora.




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