A Moral Como Negação da Vida
Veremos que tudo começou através do "fruto do entendimento humano" (árvore da ciência do bem e mal), origem dos conceitos intelectuais opostos (o cérebro duplo), conforme registrado em um livro antigo, aparentemente ingênuo que denominaram Bíblia (Gênesis). Embora tenham transformado sua história e psicologia (ciência) em religião (crença), conforme verificaremos cuidadosamente. Antes, porém, observe atentamente que o livro de Gênesis utiliza o termo "fruto do entendimento", e não exatamente "fruto proibido", nem "maçã" ou "sexo", conforme muitos leigos ainda interpretam.
Na verdade, aqueles que lutam em vão à vida inteira através de uma pose de "santo" e do esforço próprio em busca de uma perfeição no futuro, por meio da repressão dos instintos naturais e da negação da vida inocente, não sabem que a "repressão religiosa" e a "degeneração humana" (compulsão), se originam dos pólos opostos da mente dualística (cérebro duplo). Já o equilíbrio ou harmonia pertence somente à vida sábia interior (consciência, lucidez), e não ao cérebro condicionado por conceitos humanos.
Porém, para compreendermos melhor a questão da moral, primeiro nós precisamos refletir um pouco a respeito dos "pólos opostos da mente", ou "extremos da mente" (cérebro direito e esquerdo), denominado segundo a Bíblia, "fruto do entendimento", conceitos intelectuais opostos, bem e mal (sabedoria humana). Demasiada humana.
Ao consultar o livro de Gênesis, consulte também um dicionário e verifique o significado da palavra "entendimento". E observe no livro de Gênesis que não existe de fato a frase "fruto proibido".
Enquanto isso analisemos um pouco o significado da serpente astuta, entendimento humano (raciocínio). Porém, conforme veremos o problema não está exatamente no raciocínio lógico e justo, mas em sua limitada capacidade (cérebro ilógico e injusto ou superficial).
O símbolo representado por uma ou duas serpentes enroscadas em um bastão, está sempre relacionado com o cérebro (mente) - "razão, sabedoria" (árvore do conhecimento), ou materialismo. E com o coração - "emoção, amor" (árvore da vida), ou espiritualidade.
Ainda hoje falta a tarefa científica de fixar o sentido de um fenômeno que permanece parcial e fragmentário. A nossa mente condicionada separou a razão da emoção, ou a sabedoria (julgamento) do amor (perdão). Enquanto isso, todavia tornamo-nos emocionalmente frágeis e inexperientes ao perdermos o equilíbrio entre a razão e a emoção (sabedoria e amor). Qualquer calúnia ou ofensa é suficiente para que fiquemos ressentidos.
Eu utilizo o termo "tarefa científica", porque acredito que será a psicologia quem resolverá esta questão e não exatamente a religião, conforme muitos ainda acreditam e esperam.
Quanto ao livro de Gênesis, há quem ainda acredite ingenuamente que houve realmente um fruto proibido que denominaram "maçã" e "sexo". Verifiquemos direito na Bíblia que isto é apenas uma simbologia. Na verdade, não houve nenhum fruto proibido (mesmo porque, não constam tais palavras no livro de Gênesis), mas houve sim uma advertência ou observação psicológica a respeito do "fruto do entendimento humano", ou seja, a respeito do nosso cérebro duplo (conceitos opostos). Pois, a mente coletiva (universal), enquanto condicionada valoriza sempre o imaginário e menospreza o que é real (a vida agora), a única coisa que importa. Ela prioriza sempre o pensamento (teoria intelectual) e menospreza a realidade, a experiência real da vida.
O apóstolo Paulo em sua época, por exemplo, chamava a imaginação da mente de "sombra dos bens futuros", o contrário da "imagem exata das coisas" (realidade). (Hebreus, 10:1° e 2).
Segundo Paulo assim como o filósofo Nietzsche também, a lei moralista de Moisés divulgada pelos fariseus e sacerdotes em sua época era nada mais que sombra (promessa) dos bens futuros, e não a imagem exata (real) dos bens futuros (que acontece sempre agora e nunca amanhã). Logo veremos que Paulo se referia a verdadeira metafísica, a qual se baseia na realidade do agora (eternidade, ausência de tempo). A correta definição científica entre realidade e imaginação.
Quando a ciência explicar melhor para a humanidade o significado da descoberta: "O tempo é uma ilusão", então entenderemos melhor que Jesus foi de fato o maior psicólogo de todos os tempos, e não exatamente um fariseu religioso ou um João Batista (abstêmio), conforme tentaram fazer a humanidade acreditar.
A falsa metafísica, "a promessa impossível dos bens futuros" (com base no passado e futuro imaginário da mente), promete tudo e não cumpre nada (conforme dizia Nietzsche), porque não existe o futuro imaginário da mente, a suposta salvação ou redenção no além, porque o futuro acontece sempre agora mesmo, nunca no além (fora do momento presente).
Ninguém jamais viveu um futuro que não fosse hoje ou agora. O futuro desenrola-se sempre em um único momento presente (agora infinito). Na realidade não há nenhuma divisão entre passado e futuro, senão em nossa mente dualística condicionada. Portanto, o agora é a eternidade de um momento único no universo. O passado imaginário do cérebro humano é memória (lembrança) da realidade que já existiu concretamente na eternidade do agora, e o futuro imaginário do cérebro é projeção mental de uma realidade que só existe em nossa mente como memória, nunca na realidade do momento presente (agora).
A eternidade do agora (realidade), não está limitada a nossa mente condicionada (passado e futuro imaginários). Ou imaginação (pensamentos). Ao morrer nosso cérebro agora e ao virar pó, a vida infinita continua existindo independente do cérebro e do que acreditávamos.
Muitas pessoas agora mesmo estão ainda presas em suas mentes condicionadas, "vivendo" inconscientes em função do passado e futuro imaginários da mente (memória), e não em termos da realidade consciente do momento presente.
Há aparentemente duas realidades, uma imaginária e outra real. Embora, mesmo sabendo disso teoricamente (intelectualmente), muitos confundem uma com a outra, como se fossem a mesma coisa. E nessa confusão mental, a nossa mente condicionada acaba priorizando a "realidade" imaginária. É sobre isso que o apóstolo Paulo e o filósofo Nietzsche se referem.
Assim como o apóstolo Paulo, o filósofo Nietzsche também exemplificou:
Vê-se agora o que terminava pela morte na cruz: um novo esforço completamente original para um movimento de pacifismo budístico, para a felicidade sobre a Terra, não apenas prometida, mas realizada. Porque é aí que reside - já atrás o sublinhei - a diferença fundamental entre as duas religiões da decadência: o budismo não promete, mas assegura; o cristianismo promete tudo, mas não cumpre nada.
Aqui o filósofo Nietzsche deu um voto de credibilidade a Jesus apesar de suas breves críticas. E demonstrou que em Jesus estava a verdade, e não no cristianismo que a humanidade herdou.
Veremos que o filósofo Nietzsche ao detectar a essência do ensinamento de Jesus, ele acabou sendo também um discípulo de Cristo. Muitos não o compreenderam, porque ele se apresentou como se fosse um cético e contrário ao cristianismo de sua época. Porém, ao comparar sua visão com a do apóstolo Paulo, descobrimos a essência da verdade de Cristo.
Compare atentamente o que Paulo escreveu em Hebreus, 10:1° e 2, com esse texto do filósofo Nietzsche, e perceba que Nietzsche disse a mesma coisa, utilizando-se apenas de palavras modernas e mais compreensíveis. Pois, em seus livros ele fala também a respeito do problema da "consciência de pecado" que se originou das religiões moralistas, conforme consta nestes versículos, a qual ele se referia também como "má consciência". Inclusive a própria Bíblia também utiliza este termo.
Verifiquemos agora como estão escritos tais versículos e comparemos com o citado texto de Nietzsche, todavia cuidado porque antes e depois destes versículos, foi introduzida a doutrina pessimista e fabulosa dos fariseus. Contudo, ao perceber a ligação que há no objetivo comum entre Paulo e Nietzsche, entenderemos o que realmente aconteceu no passado. Apesar de Nietzsche ter criticado também o apóstolo Paulo, devido haver pensado que foi Paulo quem adulterou o ensinamento otimista de Cristo e não os próprios fariseus.
Conforme está escrito, segundo o apóstolo Paulo:
Tendo a lei à sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado (Hebreus, 10:1° e 2).
Posteriormente verificaremos através de outros exemplos, que apesar de Nietzsche ter criticado o apóstolo Paulo, ele acabou por revelar o mesmo segredo. E quanto à suposta "morte de Deus" (famosa e polêmica frase de Nietzsche), há um significado interessante por traz de tal frase, o qual está esclarecido detalhadamente neste blog, sob o título: Significado da Suposta Morte de Deus. Eu antecipo estes detalhes devido o preconceito da maioria dos religiosos contra ele. Pois, ainda não foram capazes de compreender a grande verdade que Nietzsche descobriu. Isso porque, nem sequer leram ou tentaram entender, já que se consideram sempre esclarecidos e donos da verdade.
Quanto ao texto de Nietzsche descrito anteriormente, a crítica do filósofo diz respeito ao cristianismo do passado, quando não havia ainda um sincero interesse pelas questões sociais. Quando (assim como os fariseus) o cristianismo apenas prometia uma salvação (solução) no futuro que não existe, ou que nunca chega (devaneio mental), pois tudo acontece sempre e eternamente no momento presente, nunca num momento diferente do agora.
Hoje, amanhã e depois, são apenas a continuidade da eternidade indivisível que ocorre sempre agora, não há realmente nenhuma divisão de tempo, senão apenas força de expressão.
Quanto às questões sociais necessárias do momento presente, ao fazer uma pesquisa na internet encontrei um site sobre "voluntariado" que necessitava de jovens preparados para dar palestras sobre "auto-estima" (motivação) para as crianças carentes em uma igreja cristã. Logo, além desse exemplo como outros semelhantes, percebe-se que hoje há interesse por parte dos cristãos quanto às questões reais e práticas do dia-a-dia.
Entretanto, como aumentar a auto-estima ou motivar os jovens para serem destemidos "homens valentes" (segundo vocabulário do livro de Gênesis), ainda apoiados nos conceitos intelectuais opostos da mente humana (bem e mal), na idéia antiga de pecado (consciência de pecado)? Isto é ainda contraditório! Portanto, hoje falta compreendermos melhor esta questão psicológica tão delicada, e esclarecer a verdade do Poder único e absoluto interior, que não teme "deuses" ou "poderes" externos. Por isso recorri também ao auxílio do sábio filósofo Nietzsche, o qual trabalha a questão de uma maneira dinâmica, inteligente e moderna, apesar de polêmica ainda.
O interessante de tudo isso, é que as pessoas religiosas, mesmo aquelas que ainda não sabem da introdução da doutrina pessimista dos fariseus nos Evangelhos, estão evoluindo naturalmente para uma filosofia de vida mais otimista, realista e prática. Isto significa que mesmo assim, estão sendo capazes de captar o que tem de melhor e de mais verdadeiro (científico) nos Evangelhos. Apesar de terem sido educadas desde a infância através de uma psicologia pouco animadora.
Conforme Nietzsche afirmou apropriadamente em sua época:
Os homens realmente ativos estão agora interiormente sem cristianismo, e os mais moderados e pensativos da classe média intelectual têm apenas um cristianismo adaptado, ou seja, admiravelmente simplificado. Um Deus que, em seu amor, tudo dispõe para que venha a ser o melhor para nós, um Deus que dá e toma tanto a nossa virtude como a nossa felicidade, de modo que as coisas, em geral, vão sempre bem, não há razão para ver tristemente a vida ou até mesmo denunciá-la, em suma, a resignação e a modéstia tornadas divindades - isso é o que de melhor e mais vivo ainda resta do cristianismo (Aurora).
Esta é uma observação otimista do filósofo Nietzsche sobre o cristianismo. Muitas vezes Nietzsche foi radical em suas críticas, contra o cristianismo. Embora, Jesus também, por mais pacífico que tenha sido não evitou o confronto com os religiosos de sua época. Isso porque, a verdade não confronta apenas esclarece, porém o fanatismo religioso luta contra a verdade que revela um único poder (onipotência, onipresença), além dos conceitos intelectuais opostos da mente humana dualista condicionada (bem e mal). Sabedoria humana, demasiada humana.
Fomos de fato ingênuos em aceitar uma salvação ou realização num futuro que jamais chegará se nunca acontecer agora mesmo. Se não acontecer agora, a espera permanece sem fim.
Portanto questionemos:
Foram às coisas reais (exatas) ou as coisas imaginadas (sombras) que mais contribuíram para a felicidade humana? É certo que a amplidão do espaço entre a suprema felicidade e a mais profunda infelicidade foi criada apenas com o auxílio das coisas imaginadas. Esse tipo de sentimento do espaço, então, é reduzido cada vez mais pela ação da ciência: de modo que dela aprendemos a perceber a Terra como pequena, e o próprio sistema solar como simples ponto (Nietzsche, em "Aurora").
Tanto Nietzsche, assim como o apóstolo Paulo tentaram exemplificar a diferença entre imaginação e realidade (bens futuros), porém real (imagem exata das coisas) e não imaginária (sombra dos bens futuros). Imaginação de nossa mente, irrealidade, promessa de solução no futuro que não existe de fato. Deixamos para depois o que deveríamos e poderíamos fazer realmente agora. Contudo, em vez de agirmos positivamente agora, ficamos esperando por uma solução milagrosa no futuro que nunca chega. Mas isso não impediu o ego humano de agir agora com base em seu egoísmo excessivo para seu próprio interesse, agindo negativamente, sendo ou não religioso.




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