Avaliação Cognitiva da Mente
Quanto ao egoísmo (aversão e inclinação), medo e desejo (extremos da mente), o tal instrumento natural de sobrevivência no mundo condicionado pela mente dualística (iludida), deveríamos perguntar: "Quando começou ou começa a funcionar no ser humano essa qualidade (qualidade quando equilibrada, e defeito quando desequilibrada)?". Vejamos o que alguns psicólogos do desenvolvimento infantil descobriram. No entanto, isso é ciência e não religião:
Os bebês são solidários e empáticos poucos meses após o nascimento, antes de adquirir a percepção de individualidade. Eles reagem a uma perturbação sentida por aqueles que estão em torno deles, como se esse incômodo estivesse acontecendo neles próprios. Em torno de um ano, começam a compreender que o sofrimento não é deles, mas de outro (Daniel Goleman, Ph D - Inteligência Emocional).
Ou seja, em torno de um ano de idade o ser humano começa a ficar individualista (ou egoísta). A sua visível empatia e solidariedade inicial começam a ser aparentemente reduzida, podendo ser mantida em equilíbrio durante toda a vida (suponho), caso não convençam as crianças que o ser humano é mau e pecador por natureza conforme temos aprendido até agora através das religiões e filosofias moralistas. No entanto, quando essa psicologia moralista é incutida na consciência do indivíduo desde a infância, a pessoa de "anjo" (solidário) se transforma em "demônio" (egocêntrico). Contudo a vida real interior é inocente, amável e generosa por natureza, perceba atentamente através dos exemplos dos bebês. Quanto mais cedo sabermos disso, melhor para todos nós, caso seja a paz mundial que realmente almejamos!
Que tal começar a ensinar na prática tal ciência exata as crianças? Fazendo o contrário do que as religiões moralistas fizeram até agora? Experimente cientificamente e comprove o mundo se transformar novamente em um paraíso terrestre, em vez de permanecer fantasiando e teorizando intelectualmente a respeito da verdadeira natureza do ser humano.
Em torno de um ano de idade, começamos a "compreender" ou "perceber" intelectualmente (limitadamente ou superficialmente), que o sofrimento dos outros não é mais nosso. Aqui começa a sabedoria humana (intelectual), o entendimento de que nós somos individuais e não uma única realidade (a vida infinita e universal revelada na forma finita aparente). Porém, antes disso, do desenvolvimento do cérebro duplo tínhamos uma outra percepção mais abrangente (espiritual). Esta percepção natural anterior solidária, tão almejada pela religião e pela psicologia, é a nossa verdadeira percepção espiritual e original. Já a percepção posterior, a egoísta (ou egoísmo exagerado) é adquirida segundo a ilusão de nossa mente condicionada. Portanto, é uma limitada e falsa percepção da realidade infinita, eterna e profunda, com certeza!
O erro está na crença da mente universal (coletiva), ou seja, a mente coletiva condiciona cada mente individual pura que nasce. Essa compreensão liberta cada indivíduo e não perdemos mais tempo procurando a causa do erro em cada pessoa individualmente. Assim amenizamos na prática a nossa crítica ao próximo, e conseqüentemente vai surgindo naturalmente à tolerância e o perdão, e depois o amor ao próximo.
Observe que, segundo as descobertas científicas descritas acima. Antes de um ano, o indivíduo é amável e solidário. Logo, a vida é de fato inocente e perfeita, independente da crença humana (intelectual). O egoísmo aparece depois, em torno de um ano de idade. Esse fato revela que a maioria das religiões estava equivocada, ao afirmar que o ser humano é mau e pecador por natureza.
Na realidade:
É praticamente impossível nos convencermos intelectualmente de que o interesse do outro possa ser o nosso próprio interesse, ou vice-versa, ou de que somos todos igualmente filhos de Deus, já que os sentidos materiais testemunham o contrário.
Todos nós temos características humanas - algumas boas, algumas más, outras indiferentes, algumas que admiramos nos outros e outras de que não gostamos. Mas isso não é de fato Você ou Eu. É a máscara que construímos para nós desde que nascemos; é a representação de nós mesmos para o mundo, é o papel que interpretamos, por uma ou outra razão (Joel S. Goldsmith, em "O Trovejar do Silêncio").
Em verdade, no momento em que somos concebidos como seres humanos, a consciência que somos começa a receber condicionamentos. Somos condicionados por tudo o que pensam nossos pais: os medos e as esperanças que eles alimentam nos são transferidos. Aí, entramos para a escola, e somos condicionados pelos professores, pelos colegas e pais dos colegas, condicionamento e mais condicionamento, até que, na época em que entramos no mundo, noventa por cento das coisas de cuja veracidade estamos convencidos são, em verdade, falsas.
Tudo isso junto nos faz o ser humano que somos. Temos o mundo que temos, por causa dessas crenças universais, que criaram um estado materialista da consciência.
Se eu tentar descobrir o erro num paciente, ele começará a sentir meu tratamento errôneo, e, ao invés de se sentir livre, feliz e contente, sentir-se-á pouco à vontade com a minha censura e o meu julgamento. Não é assim que se liberta uma pessoa.
É possível experimentar-se este princípio no trato com gatos, cachorros, passarinhos ou crianças. Ao invés de dizer, "Ei, cachorro ordinário", "Ô, seu gato à-toa", ou "Você aí, ô moleque atrevido", deveríamos perceber: "Deus fez o ser individual, e esse ser possui todas as qualidades de Deus. A mente e a inteligência do ser individual brotam de Deus. A vida é de Deus, e Deus governa até a queda de um pardal". Com o conhecimento disto, o comportamento do animal ou da criança muda, porque se removeu a condenação (Joel S. Goldsmith, em "O Despertar da Consciência Mística").
Conscientizar o ser humano a respeito de sua verdadeira identidade espiritual, não significa exatamente elogiar a personalidade humana. Apenas elogiar o indivíduo, o ego pode inflar e a consciência do mesmo pode ser sabotada. O melhor é reconhecer e visualizar mentalmente e diariamente a verdadeira identidade espiritual do ser humano, do que simplesmente verbalizar ou escrever sobre o assunto, até adquirirmos firme convicção.
Não devemos esquecer que, "crítica e elogio" são conceitos opostos da mente dualista condicionada. Rótulos intelectuais.
Perceba urgentemente a importância e fundamento psicológico que há na compreensão dessa realidade. Ou seja, sabendo cientificamente que cada um de nós já nasce inocente, porém sob a influência de uma crença hipnótica coletiva (universal). Logo não tivemos nenhuma culpa diretamente em ser aparentemente imperfeitos. Não tivemos alternativas, as religiões moralistas e a crença geral, sempre nos condenaram como culpados desde quando nascemos.
Jesus ao dizer: "Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem", revelou a inocência da origem do ser humano, cuja ignorância foi herdada naturalmente da crença moralista coletiva, desde nossa infância.
Segundo Joel S. Goldsmith:
Quem lida com animais ou com crianças sabe que, por meio de censuras e punições, não se consegue despertar neles o que neles há de bom; não adianta mostrar-lhes quanto são maus e malcriados. Para despertar o bom que há em uma criança, em um animal, em uma flor, ou em outro ser vivo qualquer, deve-se amá-lo, abençoa-lo, e reconhecer que o próprio Deus é o fundamento do ser e da natureza deles (A Arte de Curar Pelo Espírito).
E segundo o filósofo Nietzsche:
A pessoa que quer curar sua alma deve pensar na mudança dos hábitos mínimos. Há quem fale dez vezes ao dia uma palavra fria e ruim para aqueles em volta, pouco refletindo sobre isso, particularmente sobre o fato de que após alguns anos terá criado uma lei do hábito que o obriga a dez vezes ao dia aborrecer as pessoas em volta. Mas também pode habituar-se a beneficiá-las dez vezes! (Aurora).
No entanto, a maioria das religiões, escolas e universidades fazem exatamente o contrário.
Caso você seja moderno e não aprecia a palavra "Deus" utilizada por Goldsmith, substitua então por "Ser", "Vida", "Eu superior", "Essência", "Consciência", "Eu Sou", etc. A palavra "Deus" refere-se a algo infinito e inteligente que a própria Física Quântica vai se referi com outra palavra.
A crença coletiva crucifica o Cristo interior inocente, já desde a infância devido aos conceitos intelectuais opostos de bem e mal. Lembra-se do rei Herodes? (Mateus, 2:13 a 18). Há também aí um significado simbólico. Ou seja, quando Jesus nasceu, as demais crianças foram sacrificadas em seu lugar, porque Ele não aceitou a crença geral, devido a sua mentalidade flexível de sempre ouvir atentamente e interrogar a sabedoria humana (doutores da Lei). Isso significa que as demais crianças sempre aceitam a crença coletiva, e o Cristo inocente interior é sacrificado antes mesmo de completar dois anos de idade. Assim devemos agir todos nós, observando o exemplo de Cristo. Porém não cometa o erro de achar que Jesus já nasceu sabendo, do contrário Ele não precisaria ouvir nem perguntar.
Quando acreditamos que nós somos diferentes de Jesus Cristo, nos autolimitamos devido à crença geral, segundo a qual estamos separados de Deus (vida interior e universal). Contudo, a única coisa que nos "separa" da vida interior, é a crença da mente dupla em dois supostos poderes (bem e mal). Porém, mesmo sabendo disso intelectualmente não é suficiente, devido a nossa inconsciência atual causada pelo condicionamento mental. É preciso fazer o caminho inverso: Conhecer, compreender, assimilar e vivenciar a verdade do Poder Único interior, através de exercícios práticos diários. Desse modo, o resultado não tarda surgir em nossa vida agora, conforme também ensinou o filósofo Nietzsche, ao sugerir exercício, exercício, exercício e somente depois surge à fé correspondente, segundo ele, devido experiência própria. O que a Bíblia chama de "orar sem cessar". Ele utilizou à mesma expressão que Joel S. Goldsmith, ao sugerir também prática, prática, prática.
Quanto ao rei Herodes comentado anteriormente, a palavra "rei" nesse caso, representa o "príncipe deste mundo", o condicionamento da mente coletiva.
Assim como o filósofo Nietzsche, Joel S. Goldsmith utilizou expressões semelhantes à dele. Confira:
Não importa a profundidade da verdade; ela só pode penetrar na nossa consciência em forma de semente. Trata-se apenas de uma semente, não do fruto pronto para ser comido, saboreado, compartilhado com os vizinhos. Não podemos compartilhar a semente. Seria como plantar uma semente em nosso jardim, e no dia seguinte arrancá-la para dá-la ao vizinho! Se fizermos isso, jamais teremos uma colheita para dividir com os amigos, com a vizinhança e com a comunidade.
Leva tempo até que a semente se desenvolva e floresça em sua plenitude. Ela deve ser mergulhada bem fundo na consciência, cultivada e bem tratada para que crie raízes, cresça, floresça e se cumpra como fruto pronto a ser dividido. Não esperem ver já no dia seguinte uma árvore adulta e carregada de frutos. Mantenham essas gemas da Verdade guardadas dentro de vocês mesmos e observem como elas se desenvolvem, se expandem e frutificam.
A prática tem de ser uma parte diária e ativa da nossa consciência até fazer-se hábito em vez de pensamento, de tratamento ou de meditação ocasional (Joel S. Goldsmith, em "O Suprimento Invisível").
Observe que na medida em que a psicologia avança, comprova-se cada vez mais, que Jesus foi de fato muito sábio em matéria de psicologia. Isso porque Jesus não foi exatamente um filósofo teórico, porém um cientista que aplicou no dia-a-dia a psicologia mais avançada que já existiu devido seu elevado grau de consciência espiritual. A sabedoria está na Vida real interior (Consciência) e não no homem intelectual limitado (humano), cuja mente encontra-se ainda condicionada pelas crenças intelectuais opostas.




17 de julho de 2009 12:37
Meu irmão Edmilson, a paz!
Que interessante seu artigo.Muito edificante.Obrigado por colaborar no meu blog com seus comentários.Não tenho tanto grau de instrução como você,mas a sabedoria que o Senhor tem me dado tento passar aos meus leitores.Continue visitando meu blog e,assim,abrilhantando-o com suas observações muito significativas.
Ednelson Coelho
www.edmaisbom.blogspot.com
18 de julho de 2009 15:27
Caro Ednelson, obrigado pelo comentário! Eu também não tenho um elevado grau de instrução, quanto possa parecer. Costumo utilizar também o discernimento espiritual, embora outros zombem devido ainda não saber nem experimentar. Por isso, alguns artigos que escrevo podem parecer absurdos para outros.
Eu achei muito interessante a evolução do “Caminho da Graça”, embora eu não aprecie a linguagem ainda utilizada. Dou preferência a uma linguagem semelhante ao do livro “O Poder do Agora”. Mas evoluiu muito, comparado com o conteúdo bíblico ainda hoje pregado no mundo inteiro.