Ciência e Religião

Hoje, alguns líderes e autoridades religiosas falam a respeito da parceria da religião com a ciência. Mas como unir imaginação com realidade? Será que tal tolerância da religião para com a ciência é realmente sincera? Vejamos como o filósofo Nietzsche analisa esta questão:


Tolerância aparente - Estas são palavras benevolentes, compreensivas, sobre e a favor da ciência, no entanto, no entanto! Eu consigo enxergar por trás desta sua tolerância para com a ciência! Num canto de seu coração acreditam, apesar de tudo, que ela não lhes é necessária, que é generoso de sua parte admiti-la e mesmo agir como advogados dela, tanto mais que a ciência não mostra essa generosidade para com suas opiniões! Sabem vocês que não têm nenhum direito a este exercício de tolerância? Que esse gesto condescendente é um insulto mais grosseiro à ciência do que a franca zombaria que qualquer padre ou artista arrogante se permite? Falta-lhes a rigorosa consciência para o que é real e verdadeiro, não lhes martiriza ver a ciência em contradição com seus sentimentos, não percebem a ávida ânsia de conhecimento como uma lei que os governa, não sentem como um dever a exigência de ter os olhos presentes em toda parte onde se conhece, de não deixar escapar nada do que se conhece. Vocês não conhecem aquilo que tratam tolerantemente! E apenas porque não o conhecem chegam a adotar expressões tão favoráveis! Vocês, justamente vocês teriam olhares irritados e fanáticos, se a ciência quisesse iluminar-lhes o rosto uma só vez com os olhos dela! - Como pode nos preocupar, então, que vocês pratiquem tolerância - com um fantasma! E nem sequer conosco! E que importamos nós! (Aurora).

Quando um indivíduo acredita que Deus não tem nada a ver com a vida real, com a realidade, então esse "Deus" só pode ser apenas um conceito intelectual, um pensamento. Mesmo assim, independente do que acreditamos, a vida real continua infinita e eterna como sempre foi, é e será mesmo após nosso cérebro virar pó.


A vida real continua cuidando de nosso corpo, continua regenerando nossos órgãos internos e continua promovendo a nossa respiração, mesmo que não queiramos e não acreditemos nisso. A vida real faz muito mais por nós, do que nós acreditamos e sabemos.


Outro dia, um evangélico me disse que a nossa vida é frágil como uma vela acesa, qualquer momento a vela se apaga e pronto. Então eu não corrigir a sua absurda confusão, porque eles se acham os donos da verdade. Enquanto isso, a Vida real é a única realidade eterna, Ela é indestrutível. Frágil é o corpo físico. É a Vida que vivifica, anima e cuida do corpo limitado que veio do pó, e ao pó tornará. É preciso conhecer a si mesmo além das aparências.


Religião é imaginação, ciência é vida. A religião que se torna realista, se aproxima da ciência, da vida real, de Deus, aqui e agora.

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